CONTINUAÇÃO
A reunião pública convocada pelo Iema e pela da Petrobrás realizada no dia 28 em Ubú para apresentar o esquema em que os trabalhos de perfuração da empresa terão continuidade, mostrou que o Fórum das Entidades Civis Organizadas do Litoral Sul do ES já é uma realidade. Lá estavam oito representantes de entidades integrantes do Fórum o que marca, definitivamente, o isolamento das comunidades quando têm que enfrentar sozinhas seus problemas, especialmente quando se trata dos grandes impactos das empresas poluidoras, sempre respaldadas pelo poder público.
Os pescadores de Ubú e Parati puderam sentir que não estão mais sós. As manifestações desses representantes foram sem dúvida o ponto alto da reunião que, sem eles, teria transcorrido como tantas outras, ou seja, de um lado os representantes das grandes empresas e do Iema, com informações técnicas e propaganda e, do outro, as pessoas simples do local que não sabem o que fazer com as informações, mas sabem que a propaganda não confere com a realidade dura pela qual estão passando.
Essa situação foi bem sintetizada quando, após a apresentação e respostas às perguntas escritas, foi aberto espaço para as manifestações orais. Um pescador se levantou indignado e gritou: “isso tudo, do jeito que vocês apresentam, parece certinho e bonito e cada vez é a mesma coisa, mais quem vai pôr comida na minha panela? Ela está vazia enquanto vocês prometem e prometem e nada é feito! Nossos problemas chegaram com as perfurações da Petrobrás, agora já vão começar com as perfurações da Vale e da Baosteel e nosso peixe acabou. Vocês falam do futuro como se tudo fosse ficar uma maravilha mas nós precisamos comer é agora!”
A resposta do representante da Petrobrás foi longa mas o que disse, em síntese, é que isso já não seria um problema da empresa.
Creio que isso fala mais do que toda a reunião pois deixa entrever os grandes perigos da implantação do pólo industrial de Anchieta.
De um lado, comunidades desamparadas que vêem, do dia para a noite suas vidas virarem de ponta-cabeça, e, de outro, empresas e autoridades dispondo de tudo e de todos e, da forma como a coisa está sendo apresentada, absolutamente dentro da lei!
Um dos membros do Fórum de Entidades chamou a atenção para a necessidade de que a Secretaria de Estado do Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social – Setades, participe desse tipo de reuniões e audiências públicas.
Tanto os clamores das pessoas atingidas diretamente por esses impactos quanto as manifestações de outros cidadãos e entidades que, por diversas razões e dentro de um contexto mais amplo, são contrários a esse tipo de empreendimento, estão sendo enviados ao endereço errado. O endereço certo das reclamações seria o próprio Governo do Espírito Santo, responsável por uma política totalmente insensível às questões sociais e ambientais.
Grande verdade. Os representantes de empresas e dos órgãos públicos são apenas porta-vozes “técnicos” do que será feito e se tornam simples bodes-expiatórios, bucha de canhão do governo e empresas. Onde estão os responsáveis? Onde está o Governo nessa hora? Onde está seu grande plano de desenvolvimento? Se já começa impondo fome e desamparo aos primeiros atingidos, como será quando O GRANDE PLANO for totalmente implantado?
Isso deu ensejo para que outro membro do Fórum anunciasse o que já havia sido discutido em nossa última reunião: a criação em Anchieta de um Núcleo de Direitos Humanos. Sua formação já se encontra em andamento.
Continua....
Comentários
Mo, 28.08.2006 15:46
Roberto Luquini, obrigada pela s suas palavras. Só hoje posso responder-lhe pois estive, ma is uma vez, com problema [...]
Fr, 11.08.2006 19:49
É, Ilda, pelo visto a luta con tinua, né? Se houvesse mais ge nte como você nesse nosso Bras il, o país seria outro. [...]
Sa, 15.04.2006 05:06
Je sais que tu es très critiqu e sur les actions écologiques des sociétés, mais je ne parta ge pas tout à fait ton a [...]
Mi, 15.03.2006 19:43
Oi mae, qual e o endereco web do PROGAIA?
Mo, 27.02.2006 20:49
Vielleicht gibt es ja doch noc h ein Hoffnung für die Menschh eit??