por Eustáquio Palhares
Quero dizer que comungo inteiramente da opinião expressa neste texto, compartilho dela e infelizmente me sinto “institucionalmente” tolhido por militar em uma mídia provinciana que, não por coincidência, é bancada exatamente pelos interesses que se acumpliciam neste status quo.
Assim, também dentro da relatividade (desculpe) da minha humilde colaboração, cabe pontuar:
01) o Espírito Santo está fazendo uma equivocada opção por um modelo industrial que nos condena exatamente a isso: sermos quintal do primeiro mundo. Tenho pessoas da minha mais próxima relação afetiva que se engajam nessa visão míope e ocupam funções relevantes no contexto capixaba, infelizmente;
02) Interessante como a idéia é plantar ou fazer aqui o que eles não querem lá; a indústria suja em todos os sentidos: ambiental, pela característica intrínseca do processo, pela natureza da atividade (siderurgia, pelotização, celulose, petróleo) e social pelos bolsões de miséria que se formam no entorno e que, mesmo advertido, o Estado não consegue equacionar (até porque há muitos anos o Estado é um fim em si mesmo e sobrevive como uma farsa na suposta mediação dos conflitos da sociedade); Por entender que o Estado tem uma óbvia vocação para atividade econômica mais refinada (serviços) passei a defender, em círculos restritos, que pelo menos cerceássemos as atividades sujas e ficássemos com a parte limpa; ou seja, plantem siderúrgicas e pelotizações e que tais em Minas , Bahia e Norte Fluminense e deixe a nosso cargo as funções de transporte (ferrovia e porto) Mas isso fere um princípio que descrevo no item 14 – como transferir para o outro o que não quero para mim? Isso transgride também a percepção do holismo em que tudo se liga ou interage...
03) está claro que o Espírito Santo permanece como uma capitania hereditária onde algumas famílias que dominam os grandes negócios são contadas a dedo
04) Está claro o absolutismo de Paulo Hartung, extremamente suscetível a qualquer ponderação ou crítica e velho conhecido por sua inata vocação para que o que ele entende como consenso seja mero referendo de suas atitudes e idéias;
05) Se entendermos que a toda a filosofia ocidental é mero esforço cognitivo (especulação mesmo) para responder ás questões transcendentais da existência veremos que a filosofia oriental , não pela ancestralidade apenas, é muito mais completa e profunda. Ela consagra o princípio da Impermanência, o “tudo passa” que mostra a permanente evolução de tudo, a perene transformação. Assim, também acho que apesar de”as coisas serem o que sempre foram” ou “serem assim porque é assim mesmo”, é claro que a permanente mudança está em curso; aliás, não por acaso a maior de todas as torres (infinitamente maior que o WTC) acaba de ruir fragorosamente em Wall Street.)_
06) incontestável a colocação sobre o xerife do mundo, ainda, EUA e China e Tibet; desnuda para nós o cinismo do operário que chegou a presidente da República, na trajetória política mais brilhante – no meu entender – de toda a história política brasileira mas que, chegado ao poder, realmente esqueceu toda a coerência do discurso que o levou até lá.É patente o deslumbramento do cara e atesta que o poder não muda, mas revela os traços mais dissimulados de uma personalidade..
07) teríamos mais a considerar, agora estimulados por sua provocação:
Estado e sociedade não andam juntos no Brasil e de fato nossa formação deformada gerou isso. O Brasil foi o alvo de um processo colonizatório predatório diferentemente de outros países onde o processo migratório patrocinou a fundação de nações; O povo não participou da nossa formação institucional, foi um coadjuvante, no máximo; aprestamo-nos apenas à espoliação estrangeira num processo em se vinha aqui extrair os recursos, dilapidar riquezas e voltar à sociedade de origem...
08) a degradação patrocinada pela urbanização desorientada é considerada um “processo natural” e inevitável; As cidades caminham para o caos ante a omissão ou leniência das autoridades ditas competentes, que entendem que o processo é inexorável, irreversível. OU seja, instala-se a”normopatia”. Por mais que seja visivelmente errado é considerado “normal”. Cabe um desdobramento para falar de nossa estúpida relação com o carro, a cristalização de um egocentrismo onde cada um, a título de ter direito de locomoção , se vale de um mecanismo que pesa uma tonelada, emite monóxido de carbono, entope o espaço urbano e a preocupação é abrir mais ruas, construir mais viadutos, enfim, aceitar o fato consumado em vez de propor uma mudança de cultura que alterasse focos, padrões, conceitos, comportamentos.
09) A questão da violência há muito transcende a competência do Estado para se tornar uma agenda imediata da sociedade a quem deveria caber o exame, discussão e propostas para o assunto; a primeira delas talvez o exercício de uma solidariedade em rede em que não delegássemos para o Estado-Pai, mas a nós mesmo, a missão de nos guarnecer.
10) O corporativismo que retalha a sociedade traduz uma miopia incrível. Todos os segmentos sociais comungam da tese “Matheus, primeiro o meu” e entendem que seus interesses devem se sobrepor aos interesses maiores da sociedade. Acredita-se que a soma das partes pode ser maior que o todo. O corporativismo é cultuado como valor legítimo. Exemplo típico: quando se discute se numa reforma tributária o imposto deve incidir na origem (o que beneficiaria o ES especificamente) ou no destino, não se considera o interesse maior do Brasil mas o de um Estado (mesmo que seja o nosso). Veja os bares protestando contra a lei seca porque fere seus interesses – e assim torpedearam a tentativa de estabelecer um horário para fechamento (que funciona no primeiro mundo) ou na proibição de venda de bebida alcoólica às margens das rodovias...
11) Insisto que nada nos atrapalha mais do que uma herança individualista onde temos o direito de priorizar o pessoal e o particular em detrimento do coletivo. Povos que priorizam primeiro o grupo e secundariamente o indivíduo mostram coesão social e qualidade de vida – que não pode ser confundida necessariamente com a mera prosperidade material. Impressionante como nos permitimos estacionar irregularmente atravancando o tráfego, como fazemos um grupo esperar por questões de ordem pessoal, etc...
12) não podemos negligenciar outras questões como os novos formato da família e a substituição da função da família na formação moral do indivíduo – papel que cabe à família, não à escola;
13) aliás, nossas escolas continuam no século XIX preparando gente para o mercado, não para a vida
14) padrões morais básicos, como o explícito naquilo que se denomina a Lei de Ouro de Todas as Religiões (judaísmo, cristianismo, hinduísmo, budismo e taoísmo) não nos são ensinado como fundamento de cidadania: trate o outro como queres ser tratado ou b) o mundo só muda se a gente mudar....
15) A questão da superpopulação é óbvia mas os governantes insistem em não conhecê-la; há 40 anos cantávamos “.... noventa milhões em ação...”. Hoje somos 190 milhões. Que sociedade consegue prover uma população que dobra em 40 anos; ou seja, que em 40 anos se reproduz no nível em que chegou depois de 470 anos? Se considerarmos que a População Economicamente Ativa em média é de 30% da população temos 50 e poucos milhões produzindo para o consumo de 190; E qual Estado ou qualquer outra instância consegue prover tais demandas a partir de uma base restrita de contribuição...? saúde, educação, saneamento, infra-estrutura, habitação, transportes, etc...
16) A Democracia Representativa se mostra um recurso falido na razão direta da falibilidade humana, vide o apartheid que existe entre sociedade e políticos que operam sempre em causa própria exercendo a política na visão mais aviltada como mero jogo de relações de poder e não como arte elevada da promoção do bem estar comum ;
No momento em que tecnologia faculta a conectividade (via Internet ou outros meios) a cada cidadão restabelece-se a possibilidade da democracia participativa onde a população pode se expressar , opinar, escolher, votar. Mais rudemente falando, político para quê? Para mediar nossa relação com o Governo? Para quê se hoje podemos fazê-lo diretamente? Haveria questões operacionais a serem implementadas mas o que importa é o conceito: hoje a democracia pode ser participativa e não representativa
17) A omissão criminosa ou a inépcia tem a ver com a nossa formação de caráter: vide as obras inconclusas porque foram iniciadas nas administrações anteriores (“eu vou botar azeitona na empada do outro?) ou “o que é publico não é de ninguém” (quando o que é público é de todos)
18) Nossa política de saúde seria muito mais eficaz se o Governo regulasse como deveria a questão dos alimentos e a cultura da alimentação. O lixo nutritivo que se serve hoje é mais letal que muitas drogas criminalizadas (biscoitos, chips, enlatados, embutidos....). Não vou entrar em detalhes como a questão da assistência formal à saúde. Apenas regular minimamente a questão dos alimentos equivalendo-os à categoria de remédios...
19) O importante é consagrar o que virou clichê do momento mas tende a ser uma verdade absoluta^: a ruptura dos paradigmas, o questionamento de padrões que se perpetuam inercialmente apenas porque não são questionados:
20) é fundamental um choque de mobilização da sociedade; vizinhos de um bairro devem entender que eles são os primeiros responsáveis pela segurança de seu local, apenas para ficarmos no exemplo mais crucial da violência que está fazendo Bagdá se tornar uma aprazível estação de férias perto da possibilidade que temos de assaltos seguidos de morte em qualquer lugar, pelo menos na Grande Vitória.
Comentários
Mo, 28.08.2006 15:46
Roberto Luquini, obrigada pela s suas palavras. Só hoje posso responder-lhe pois estive, ma is uma vez, com problema [...]
Fr, 11.08.2006 19:49
É, Ilda, pelo visto a luta con tinua, né? Se houvesse mais ge nte como você nesse nosso Bras il, o país seria outro. [...]
Sa, 15.04.2006 05:06
Je sais que tu es très critiqu e sur les actions écologiques des sociétés, mais je ne parta ge pas tout à fait ton a [...]
Mi, 15.03.2006 19:43
Oi mae, qual e o endereco web do PROGAIA?
Mo, 27.02.2006 20:49
Vielleicht gibt es ja doch noc h ein Hoffnung für die Menschh eit??