Secretário se reúne com entidades do Sul do Estado para esclarecer dúvidas sobre os impactos do pólo industrial na região
Para mais de duas dezenas de entidades do sul o projeto de industrialização acena com o conto do emprego e encobre o déficit social e a degradação ambiental que inviabilizará a região turisticamente
O representante do Ministério Público da Micro-Região Sul, Marco Antônio Nogueira informou ao Fórum das Entidades Civis Organizadas do Litoral Sul do Espírito Santo que o secretário de Desenvolvimento Econômico, Guilherme Dias, estará presente à quarta reunião do Fórum de Ubú, programada para o dia oito de outubro, às 14 horas, em Anchieta.
O Fórum de Ubú foi criado pelo Ministério Público para atender às crescentes demandas dos representantes da sociedade civil no sentido de obter todas as informações e tentar esclarecer as controvérsias e polêmicas que cercam a implantação do Pólo Industrial de Anchieta – PISA.
O pólo, para o qual o Governo do Estado já teria editado decreto de desapropriação, tem previsão de acolher a Sideúrgica Vitória, da Baosteel, a instalação de novas usinas de pelotização da CVRD e da Samarco, a variante ferroviária da Litorânea Sul de 15,6 km e um porto de águas profundas para escoamento de minério, cimento, celulose, rochas ornamentais e grãos.
O Fórum da s Entidades do Litoral Sul reúne 28 entidades que estão inquirindo do Ministério Público informações mais objetivas do processo de industrialização da região que, para eles, até o momento vem sendo articulado sem um posicionamento claro a respeito dos impactos ambientais e sociais que causarão na região. As entidades querem que todo o encaminhamento do processo seja precedido por um Relatório de Impacto Ambiental a ser contratado por uma organização idônea e não vinculada tanto aos investidores quanto ao próprio Governo do Estado.
Moradia
A preocupação das entidades civis e ambientalistas é de que os efeitos sociais degradantes do processo anulem as eventuais vantagens econômicas. Mesmo essas, para as entidades, são discutíveis na medida em que são projetos estéreis em termos de tributação porque são voltados para a exportação e, como tal, isentos; além disso a massa de empregados ocupada durante o processo de implantação do empreendimento tende a ser liberada e não ser absorvida pelo perfil dos pequenos negócios, criando-se os bolsões de indigência da periferia, a exemplo do que aconteceu em Vitória. Para os representantes dessas entidades, a certeza de que a região se degradará se reforça pela perspectiva de que nenhum ocupante dos cargos executivos ou mesmo dos níveis gerenciais tendem a morarem na localidade, devendo fazê-lo fora da área de abrangência dos projetos
Um dos questionamentos que espera o secretário Guilherme Dias é a razão pela qual o Espírito Santo está acolhendo as unidades de pelotização que o Estado do Maranhão não aceitou devido ao passivo ambiental que representariam. A outra é uma projeção mais consistente dos efeitos sociais diretos dos empreendimentos em razão da atração de um êxodo de mão de obra desqualificada que depois de concluída fase de instalação dos empreendimentos não será absorvida em suas operações; as retroáreas de armazenagem das cargas destinadas ao porto de águas profundas também terão sua localização questionada já que representarão um impacto degradante no potencial turístico da região e os investidores, visando redução de custos, pretendem tê-las próximas da área portuária em vez de recuá-las para a proximidade da BR-101 de onde poderiam ser transportadas por vias expressas para o terminal portuário; mesmo o traçado da Ferrovia Litorânea Sul é motivo de questionamento porque ele produzirá impactos negativos na região entre a orla marítima e a rodovia. O entendimento é que o eixo ferroviário deveria descrever uma elipse a partir de Cariacica cruzando a BR 101 e seguindo em paralelo à rodovia, poupando toda uma área que ficará depreciada por estar sendo recortada ao meio.
O próprio representante do Ministério Público na região, Marco Antônio Nogueira admitiu que não tem maiores informações sobre o processo e o planejamento estratégico do pólo, o que espera obter a partir das informações que o secretário Guilherme Dias se dispuser a oferecer.
Maiores informações:
Fórum das Entidades Civis Organizadas do Litoral Sul do Espírito Santo
Coordenação:
Ilda de Freitas - Progaia - telefone: (28)35361558
Bruno Fernandes da Silva – Gama – Tel. (28) 9251-4930
Carlos Humberto Oliveira – Progaia – 27-3074-2111
Comentários
Mo, 28.08.2006 15:46
Roberto Luquini, obrigada pela s suas palavras. Só hoje posso responder-lhe pois estive, ma is uma vez, com problema [...]
Fr, 11.08.2006 19:49
É, Ilda, pelo visto a luta con tinua, né? Se houvesse mais ge nte como você nesse nosso Bras il, o país seria outro. [...]
Sa, 15.04.2006 05:06
Je sais que tu es très critiqu e sur les actions écologiques des sociétés, mais je ne parta ge pas tout à fait ton a [...]
Mi, 15.03.2006 19:43
Oi mae, qual e o endereco web do PROGAIA?
Mo, 27.02.2006 20:49
Vielleicht gibt es ja doch noc h ein Hoffnung für die Menschh eit??