O certo é que seria impossível mensurar todos os impactos causados pela instalação da Terceira Usina de Pelotização da Samarco e o Relatório que apresentamos à empresa é provavelmente o único documento onde podemos nos apoiar, com dados à prova, para nos preparar para os futuros processos de licenciamento do pólo industrial de Anchieta.
Mas a importância desse documento é também simbólica pois marca uma profunda mutação na sociedade de Anchieta no período que começa, justamente, com o início do processo de licenciamento da Terceira Usina da Samarco até a obtenção da licença de operação ocorrida em 2008.
A FICHA CAIU.
O exemplo que dei com a saúde serve para todos os outros segmentos. Quase toda a população aceitou a terceira usina sem questionamento ou com esperanças nas possibilidades de emprego. O fatalismo também estava presente. Quantas vezes ouvi coisas do tipo: “eles são poderosos demais e não adianta lutar.”
As reuniões e audiências públicas convenceram ainda a maior parte dos presentes de que tudo estava bem planejado e os benefícios seriam maiores que os impactos negativos. O certo é que o questionamento só surgiu na medida em que víamos o início do caos se instalar em Anchieta e Guarapari.
Os 3 mil trabalhadores que a Samarco afirmou serem necessários, se transformaram em aproximadamente 6 mil. Alguns vieram com as famílias e calculamos que a população no período do pico das obras tenha chegado a 7 mil.
Pouco adiantaram as condicionantes que deveriam regular a mobilização e desmobilização dos trabalhadores.
De várias partes do Brasil chegavam ônibus apinhados de trabalhadores procurando emprego. Eles iam direto às empreiteiras que avaliavam se os empregava ou não e, caso positivo, eram orientados a procurar o Sine que, justamente, havia sido criado para cadastrar, selecionar e encaminhar os trabalhadores para as empreiteiras. Isso fez com que muitos trabalhadores de fora ocupassem cargos que poderiam e deveriam ser ocupados pela população local e esse “caminho inverso” ao que havia sido apresentado nas audiências públicas, foi um dos maiores responsáveis pelo início do caos.
Quanto à qualificação, foram criados apenas cursos para “capacitar” a mão de obra local a ocupar cargos subalternos e a população local foi, desde o início, considerada e tratada apenas como “mão de obra”. As empreiteiras trouxeram de fora todos os técnicos que necessitavam por não encontrarem em Guarapari e Anchieta, o pessoal especializado que necessitavam.
Um secretário do prefeito de Anchieta viu nisso sua grande oportunidade de enriquecimento rápido e não estava só nessa empreitada já que contou com o apóio de pessoas da própria Samarco e das empreiteiras.
Em pouco tempo pousadas de Ubú, Guanabara e Castelhanos acolheram centenas, senão milhares de trabalhadores de fora. Pelo que fui informada por alguns proprietários desses estabelecimentos, a ganância do secretário ainda era maior do que se podia imaginar pois alguns deles nunca receberam um único aluguel e nem as faturas de água e luz foram pagas além de terem recuperado seu imóvel em estado lamentável.
O tal secretário transformou sua própria pousada no pior de todos os alojamentos e da rua podíamos ver que até parte de sua varanda estava ocupada com beliches.
Como se não bastasse, construiu, a toque de caixa, mais um anexo cujas características mais lembram um galinheiro. Essa tarefa lhe foi sem dúvida facilitada pelos privilégios que ainda goza como secretário da prefeitura e pessoa íntima do Sr. Edval Petri pois a nenhum cidadão comum teria sido permitida tal obra. Para começar, foi construído um andar a mais do que o permitido pelo gabarito da praia da Guanabara e, para terminar, ao invés de fazer uma fossa no novo anexo ele instalou um cano que cruzava a rua e levava todo o seu esgoto para um buraco que cavou na área verde em frente que, aliás, há muito tempo deixara de ser verde pois ele a usava tanto como depósito de lixo quanto estacionamento.
Teve início uma rápida descaracterização das áreas turísticas. Grandes grupos de homens afastaram os turistas e encheram praias e restinga de lixo.
Ônibus e carros ocuparam nossas tranqüilas vias não pavimentadas servindo até como pistas de corrida. Uma constante nuvem de poeira pôs fim às idílicas caminhadas dos turistas e engoliu todas as cores da paisagem.
(CONTINUA)
Comentários
Mo, 28.08.2006 15:46
Roberto Luquini, obrigada pela s suas palavras. Só hoje posso responder-lhe pois estive, ma is uma vez, com problema [...]
Fr, 11.08.2006 19:49
É, Ilda, pelo visto a luta con tinua, né? Se houvesse mais ge nte como você nesse nosso Bras il, o país seria outro. [...]
Sa, 15.04.2006 05:06
Je sais que tu es très critiqu e sur les actions écologiques des sociétés, mais je ne parta ge pas tout à fait ton a [...]
Mi, 15.03.2006 19:43
Oi mae, qual e o endereco web do PROGAIA?
Mo, 27.02.2006 20:49
Vielleicht gibt es ja doch noc h ein Hoffnung für die Menschh eit??