Matéria do jornalista Uberwalter Coimbra do Jornal Seculodiario
A Aracruz Celulose é responsável pelo desaparecimento de mais de 400 espécies de aves e 40 de mamíferos no norte do Espírito Santo. A denúncia está contida no poema "As mudas romperam o silêncio", parte de um manifesto em solidariedade às camponesas da Via Campesina, assinado entre outros pelos bispos Dom Thomás Balduino e Dom Pedro Casaldaliga, pelo escritor Eduardo Galeano, e pela ex-primeira dama da França Danielle Miterrand.
No total, 43 personalidades assinam o manifesto. "As mudas romperam o silêncio" foram as camponesas que destruíram mudas de eucalipto da Aracruz Celulose, no Rio Grande do Sul, no dia oito de março deste ano.
As mulheres que destruíram as mudas de eucalipto argumentam que ninguém come eucalipto, espécie exótica majoritariamente plantada para produção de celulose, juntamente com o pinus e a acácia, entre outros, em 5 milhões de hectares no Brasil. As transnacionais plantam as espécies exóticas em terras boas para produção de alimentos, como ocorre no Espírito Santo. O governo federal está apoiando a ampliação do eucalipto para 11 milhões de hectares.
"As mudas romperam o silêncio" traz, entre muitas, as seguintes denúncias: Havia um silêncio, sepulcral/sobre dezoito mil hectares roubados/dos povos tupi-guarani/sobre dez mil famílias quilombolas/expulsas de seus territórios/sobre milhões de litros de herbicidas/derramados nas plantações/Havia um silêncio promíscuo/sobre o cloro utilizado/no branqueamento do papel/a produzir toxinas que agridem/plantas, bichos e gentes/sobre o desaparecimento/de mais de quatrocentas espécies de aves/e quarenta de mamíferos/do norte do Espírito Santo/Havia um silêncio intransponível/sobre a natureza de uma planta que consome trinta litros de água-dia/e não dá flores nem sementes/sobre uma plantação que produzia bilhões/e mais bilhões de dólares/para meia dúzia de senhores/Havia um silêncio espesso/sobre milhares de hectares acumulados no Espírito Santo, Minas, Bahia/e Rio Grande do Sul/Havia um silêncio cúmplice sobre a destruição da mata atlântica e dos pampas/pelo cultivo homogêneo de uma só árvore:/o eucalipto."
Assinam o manifesto de homens e mulheres em solidariedade às camponesas da Via Campesina, entre outras, as seguintes personalidades: Ariovaldo Ramos, pastor, teólogo e presidente da Associação Evangélica Brasileira; Beth Carvalho, Martinho da Villa e Chico César, cantores; Dom Thomas Balduino e Dom Pedro Casaldaliga, este também poeta; Doris Gutierrez, deputada do congresso Hondureno, Honduras; Eduardo Galeano, escritor, do Uruguai; Eric Toussain, economista, escritor, da Bélgica; Fábio Konder Comparato, jurista;
E, Luís Fernando Veríssimo, escritor; Leonardo Boff, teólogo, escritor; Oscar Niemeyer, arquiteto; Plínio Arruda Sampaio, consultor da FAO e deputado constituinte 87, São Paulo; Sílvia Ribeiro, investigadora de transnacionais na agricultura, México; Sílvio Tendler, cineasta; Pat Money, cientista, especialista em OGMs, do grupo ETC Canadá; Stephen Barlett, Agricultural Mission, Estados Unidos; Letícia Sabatela, atriz; Marcos Winter, artista; Sílvia Batriz Adoube, professora universitária, da Argentina; Augusto Boal, teatrólogo; e, Danielle Miterrand, ex-primeira dama da França, presidente de France Liebrte.
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Comentários
Mo, 28.08.2006 15:46
Roberto Luquini, obrigada pela s suas palavras. Só hoje posso responder-lhe pois estive, ma is uma vez, com problema [...]
Fr, 11.08.2006 19:49
É, Ilda, pelo visto a luta con tinua, né? Se houvesse mais ge nte como você nesse nosso Bras il, o país seria outro. [...]
Sa, 15.04.2006 05:06
Je sais que tu es très critiqu e sur les actions écologiques des sociétés, mais je ne parta ge pas tout à fait ton a [...]
Mi, 15.03.2006 19:43
Oi mae, qual e o endereco web do PROGAIA?
Mo, 27.02.2006 20:49
Vielleicht gibt es ja doch noc h ein Hoffnung für die Menschh eit??