Ao que parece, "o modo de funcionamento" das elites políticas e econômicas têm critérios de valores (e outros) tão peculiares que nunca estarão ao alcance da compreensão dos cidadãos comuns. É pura ilusão tentarmos compreender ou tirarmos conclusões baseados naquilo que nos é dado acompanhar pela mídia.
Vou tentar simplificar para dar um exemplo, citando os fatos pela ordem:
1. No dia 13 de junho a British Petroleum publicou um relatório segundo o qual as reservas de petróleo garantirão os próximos 40 anos de consumo.
2. Isso foi contestado pela Oil Depletion Centre de Londres que dirige um grupo de “cientistas críticos”.
3. O diretor desse centro de cientistas contestadores é o geólogo Colin Campbell, ex vice- presidente de várias companhias petrolíferas (BP, Shell, Fina, Exxon, Chevron Texaco). Ele afirmou ao jornal The Independent, que a produção de petróleo mais barato e fácil de extrair chegou em 2005 ao seu ponto mais alto e está em declínio. Que alcançará sua cota máxima nos próximos quatro anos e cairá em seguida de modo drástico o que acarretará uma reviravolta, também drástica, para a economia mundial e o estilo de vida dos cidadãos.
4. O principal analista econômico da BP, Peter Davies, também citado pelo Independt discordou: "Não achamos que haja problemas absolutos de recursos. Quando chegarmos a essa situação, pode ser que ela se deva a um forte aumento do consumo ou a uma nova política de combate à mudança climática, não a um limite na produção".
5. Jeremy Leggert, renomado geólogo que aderiu ao conservacionismo da mesma forma que Campbell e autor de um livro sobre a crise energética mundial, disse ao jornal que o caso do petróleo lembra a resistência de muitos, durante anos, a prestar atenção aos alertas sobre o aquecimento do planeta. Ele lembrou que em 1999 as reservas petrolíferas do Reino Unido no Mar do Norte chegaram a um teto. Mas durante dois anos explicar abertamente o que acontecia equivalia quase "a uma heresia".
6. Aí é que entra, a meu ver, a parte mais importante.
Colin Campbell encerrou uma carreira à frente de várias companhias petrolíferas e hoje está à frente de um grupo de "cientistas críticos". Como mudou de lado, ele agora critica abertamente a análise da BP.
E justifica:
“QUANDO EU ESTAVA À FRENTE DE UMA COMPANHIA PETROLÍFERA, NUNCA DIZIA A VERDADE. NÃO FAZIA PARTE DO JOGO””
O que ele quis dizer com isso? Que a mentira se justificava por ser necessária aos objetivos da empresa para a qual trabalhava?
Que, nessas condições, ele próprio não precisava de critérios éticos já que “funcionava” dentro de um padrão empresarial acima desses valores?
Isso quer dizer que a partir de agora ele está dizendo a verdade? Mas se ele não tem critério de valores, o que é a verdade para ele?
E para os outros?
E nós, que temos direito apenas a tomar conhecimento de uma infinidade de "relatórios", de "estudos", de "análises", cada um "provando" o que bem entendem, como ficamos?
É muita cretinice.
Comentários
Mo, 28.08.2006 15:46
Roberto Luquini, obrigada pela s suas palavras. Só hoje posso responder-lhe pois estive, ma is uma vez, com problema [...]
Fr, 11.08.2006 19:49
É, Ilda, pelo visto a luta con tinua, né? Se houvesse mais ge nte como você nesse nosso Bras il, o país seria outro. [...]
Sa, 15.04.2006 05:06
Je sais que tu es très critiqu e sur les actions écologiques des sociétés, mais je ne parta ge pas tout à fait ton a [...]
Mi, 15.03.2006 19:43
Oi mae, qual e o endereco web do PROGAIA?
Mo, 27.02.2006 20:49
Vielleicht gibt es ja doch noc h ein Hoffnung für die Menschh eit??