As últimas notícias sobre a criação do pólo industrial de Anchieta não pegou ninguém de surpresa mas a extensão do projeto foi um imenso choque para os ambientalistas e para qualquer cidadão que escape da manipulação mental imposta pelas mega-empresas e seus aliados políticos . Os sentimentos são de impotência, desesperança e luto. Aqui, o velho ditado que diz: “em terra de cego quem tem olho é rei” sofre uma inversão radical. Certo seria: em terra de cego quem tem olho é minoria e minoria pode ter razão mas não tem poder. Porque o poder é delegado nas urnas que só favorecem aqueles que vendem suas almas pro diabo.
A estrutura da corrupção é sólida e nem os escândalos políticos que se sucedem têm o poder de abalá-la. Ela chegou com os portugueses e se aperfeiçoou durante 500 anos até se tornar perfeitamente adaptável às exigências da globalização e às exigências das elites que dirigem o mundo. Essas exigência são, na teoria, de teor humano, social, ambiental, ético. Mas as elites globalizadas, incapazes de conciliar ganância e irresponsabilidade com justiça social e respeito ao planeta e preferiram criar um mundo de faz de conta, uma disneylândia globalizada com primeira, segunda e terceira classes. Nesse contexto, foram criadas as pseudo-democracias, as pseudo-políticas de proteção ambiental, o pseudo-progresso, as pseudo-preocupações com o futuro.
A base para isso é pseudo-cidadania. As elites desprezam o povo mas precisam dele para continuar onde estão. Precisam das urnas e precisam de consumidores.
Na prática, o cidadão tem obrigação de votar mas não tem nem condições de imaginar as conseqüências do seu voto já que, como no caso específico do mega-projeto previsto para Anchieta, aqueles que formam sua opinião são os próprios empreendedores que subsidiam tanto a mídia quanto as campanhas eleitorais. Assim, o povo, intencionalmente mantido na ignorância desde os tempos de Cabral, atinge a pseudo-maioridade com a lavagem cerebral através da mídia. E o círculo está fechado.
Os critérios e os valores das elites nunca estarão ao alcance do homem comum e ele continuará a se satisfazer de discursos, de pão e circo e das migalhas que caem dos programas assistencialistas. Continuará a aplaudir e a reeleger justamente aqueles que destroem seu patrimônio, sua saúde e seu futuro e darão carta branca para que os eleitos matem sua galinha dos ovos de ouro e comam suas entranhas.
Comentários
Mo, 28.08.2006 15:46
Roberto Luquini, obrigada pela s suas palavras. Só hoje posso responder-lhe pois estive, ma is uma vez, com problema [...]
Fr, 11.08.2006 19:49
É, Ilda, pelo visto a luta con tinua, né? Se houvesse mais ge nte como você nesse nosso Bras il, o país seria outro. [...]
Sa, 15.04.2006 05:06
Je sais que tu es très critiqu e sur les actions écologiques des sociétés, mais je ne parta ge pas tout à fait ton a [...]
Mi, 15.03.2006 19:43
Oi mae, qual e o endereco web do PROGAIA?
Mo, 27.02.2006 20:49
Vielleicht gibt es ja doch noc h ein Hoffnung für die Menschh eit??