As coisas em Anchieta vão de mal a pior. Fico matutando como passar as informações para vocês mas o pacote é grande demais.
Escolher as prioridades não é fácil. Existem aquelas questões básicas que dizem respeito às irregularidades, corrupção, desrespeito às leis e aos direitos do cidadão e, depois, os fatos diversos que surgem em decorrência disso.
A informação que lhes passo hoje é um desses fatos:
Antes da última reunião da CENG recebi para análise o relatório final do IEMA sobre o andamento das condicionantes da terceira usina, já que a fase de instalação havia terminado e passava agora à fase de operação.
Fiquei surpresa quando li que a nossa Secretária de Saúde havia tido duas reuniões importantes para tratar dos impactos na área da saúde provocados pela vinda de milhares de trabalhadores de fora.
As reuniões, solicitadas pela própria secretária, foram: uma com o Iema e a Samarco e a outra com a Samarco e a empresa Enesa, a empreiteira que forneceu o maior número de trabalhadores ao empreendimento.
Abro parênteses para informar-lhes que ninguém sabe ao certo quantos trabalhadores passaram pela obra, mas calcula-se que tenham sido em torno de 6.000, isto é, o dobro do que havia sido previsto e anunciado pela própria Samarco. Mais da metade desses trabalhadores vieram de fora embora, mais uma vez, não tenhamos dados precisos. O fato de não existirem dados precisos mostra que a coisa fugiu completamente ao controle, como a própria Samarco admitiu. A não ser que, assumir essa "fuga do controle" seja mais fácil ou conveniente do que assumir outros erros... Fecho parênteses.
Como membro da CENG e também do Conselho de Saúde de Anchieta, levantei várias vezes a questão do impacto que isso provocaria na área da saúde. Solicitei à Samarco uma reunião com o Conselho de Saúde para tratarmos disso, o que foi acordado desde que o Conselho protocolasse um ofício na Samarco marcando dia e hora. Levei então a questão para o Conselho (em ata),mas nunca conseguimos marcar uma reunião pois a secretária sempre se esquivou do assunto, como sempre faz quando se trata de deixar o Conselho participar daquilo que realmente importa. E isso apesar de, continuamente, ter reclamado do grande impacto que estava ocorrendo (também em ata).
Imaginem minha surpresa quando vejo no relatório que ela, sozinha, havia tido duas reuniões para tratar do assunto, fato que, aliás, nunca comunicou ao Conselho.
Surpresa maior ainda: Na reunião com a Samarco, a empresa lhe havia solicitado um relatório sobre os impactos mediante os quais ela estudaria um modo de mitigar ou compensar o impacto.
Nossa Secretária de Saúde nunca enviou o relatório e não houve uma segunda reunião.
Com a Enesa, quase a mesma coisa. A empreiteira propôs financiar uma campanha contra diabetes e hipertensão, dois grandes males locais. Mas a secretária não se interessou em dar continuidade ao assunto.
Na última reunião do Conselho de Saúde, com o relatório do Iema em mãos, solicitei à secretária que nos explicasse como isso tinha sido possível. E pasmem, ela mal piscou. Disse da forma mais normal do mundo: "eu só me lembro de uma reunião..." e, para encerrar o assunto: "de qualquer forma os impactos não foram tão grandes assim...".
Depois de uma coisa dessas a pergunta é mais do que pertinente: Se a Samarco e a Enesa tivessem oferecido alguma compensação em dinheiro, será que o desinteresse teria sido o mesmo?
Comentários
Mo, 28.08.2006 15:46
Roberto Luquini, obrigada pela s suas palavras. Só hoje posso responder-lhe pois estive, ma is uma vez, com problema [...]
Fr, 11.08.2006 19:49
É, Ilda, pelo visto a luta con tinua, né? Se houvesse mais ge nte como você nesse nosso Bras il, o país seria outro. [...]
Sa, 15.04.2006 05:06
Je sais que tu es très critiqu e sur les actions écologiques des sociétés, mais je ne parta ge pas tout à fait ton a [...]
Mi, 15.03.2006 19:43
Oi mae, qual e o endereco web do PROGAIA?
Mo, 27.02.2006 20:49
Vielleicht gibt es ja doch noc h ein Hoffnung für die Menschh eit??