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Freitag, 26. September 2008A ILUSÃO DO PODER - COMENTÁRIOpor Eustáquio Palhares Quero dizer que comungo inteiramente da opinião expressa neste texto, compartilho dela e infelizmente me sinto “institucionalmente” tolhido por militar em uma mídia provinciana que, não por coincidência, é bancada exatamente pelos interesses que se acumpliciam neste status quo. Assim, também dentro da relatividade (desculpe) da minha humilde colaboração, cabe pontuar: 01) o Espírito Santo está fazendo uma equivocada opção por um modelo industrial que nos condena exatamente a isso: sermos quintal do primeiro mundo. Tenho pessoas da minha mais próxima relação afetiva que se engajam nessa visão míope e ocupam funções relevantes no contexto capixaba, infelizmente; 02) Interessante como a idéia é plantar ou fazer aqui o que eles não querem lá; a indústria suja em todos os sentidos: ambiental, pela característica intrínseca do processo, pela natureza da atividade (siderurgia, pelotização, celulose, petróleo) e social pelos bolsões de miséria que se formam no entorno e que, mesmo advertido, o Estado não consegue equacionar (até porque há muitos anos o Estado é um fim em si mesmo e sobrevive como uma farsa na suposta mediação dos conflitos da sociedade); Por entender que o Estado tem uma óbvia vocação para atividade econômica mais refinada (serviços) passei a defender, em círculos restritos, que pelo menos cerceássemos as atividades sujas e ficássemos com a parte limpa; ou seja, plantem siderúrgicas e pelotizações e que tais em Minas , Bahia e Norte Fluminense e deixe a nosso cargo as funções de transporte (ferrovia e porto) Mas isso fere um princípio que descrevo no item 14 – como transferir para o outro o que não quero para mim? Isso transgride também a percepção do holismo em que tudo se liga ou interage... 03) está claro que o Espírito Santo permanece como uma capitania hereditária onde algumas famílias que dominam os grandes negócios são contadas a dedo 04) Está claro o absolutismo de Paulo Hartung, extremamente suscetível a qualquer ponderação ou crítica e velho conhecido por sua inata vocação para que o que ele entende como consenso seja mero referendo de suas atitudes e idéias; 05) Se entendermos que a toda a filosofia ocidental é mero esforço cognitivo (especulação mesmo) para responder ás questões transcendentais da existência veremos que a filosofia oriental , não pela ancestralidade apenas, é muito mais completa e profunda. Ela consagra o princípio da Impermanência, o “tudo passa” que mostra a permanente evolução de tudo, a perene transformação. Assim, também acho que apesar de”as coisas serem o que sempre foram” ou “serem assim porque é assim mesmo”, é claro que a permanente mudança está em curso; aliás, não por acaso a maior de todas as torres (infinitamente maior que o WTC) acaba de ruir fragorosamente em Wall Street.)_ 06) incontestável a colocação sobre o xerife do mundo, ainda, EUA e China e Tibet; desnuda para nós o cinismo do operário que chegou a presidente da República, na trajetória política mais brilhante – no meu entender – de toda a história política brasileira mas que, chegado ao poder, realmente esqueceu toda a coerência do discurso que o levou até lá.É patente o deslumbramento do cara e atesta que o poder não muda, mas revela os traços mais dissimulados de uma personalidade.. 07) teríamos mais a considerar, agora estimulados por sua provocação: Estado e sociedade não andam juntos no Brasil e de fato nossa formação deformada gerou isso. O Brasil foi o alvo de um processo colonizatório predatório diferentemente de outros países onde o processo migratório patrocinou a fundação de nações; O povo não participou da nossa formação institucional, foi um coadjuvante, no máximo; aprestamo-nos apenas à espoliação estrangeira num processo em se vinha aqui extrair os recursos, dilapidar riquezas e voltar à sociedade de origem... 08) a degradação patrocinada pela urbanização desorientada é considerada um “processo natural” e inevitável; As cidades caminham para o caos ante a omissão ou leniência das autoridades ditas competentes, que entendem que o processo é inexorável, irreversível. OU seja, instala-se a”normopatia”. Por mais que seja visivelmente errado é considerado “normal”. Cabe um desdobramento para falar de nossa estúpida relação com o carro, a cristalização de um egocentrismo onde cada um, a título de ter direito de locomoção , se vale de um mecanismo que pesa uma tonelada, emite monóxido de carbono, entope o espaço urbano e a preocupação é abrir mais ruas, construir mais viadutos, enfim, aceitar o fato consumado em vez de propor uma mudança de cultura que alterasse focos, padrões, conceitos, comportamentos. 09) A questão da violência há muito transcende a competência do Estado para se tornar uma agenda imediata da sociedade a quem deveria caber o exame, discussão e propostas para o assunto; a primeira delas talvez o exercício de uma solidariedade em rede em que não delegássemos para o Estado-Pai, mas a nós mesmo, a missão de nos guarnecer. 10) O corporativismo que retalha a sociedade traduz uma miopia incrível. Todos os segmentos sociais comungam da tese “Matheus, primeiro o meu” e entendem que seus interesses devem se sobrepor aos interesses maiores da sociedade. Acredita-se que a soma das partes pode ser maior que o todo. O corporativismo é cultuado como valor legítimo. Exemplo típico: quando se discute se numa reforma tributária o imposto deve incidir na origem (o que beneficiaria o ES especificamente) ou no destino, não se considera o interesse maior do Brasil mas o de um Estado (mesmo que seja o nosso). Veja os bares protestando contra a lei seca porque fere seus interesses – e assim torpedearam a tentativa de estabelecer um horário para fechamento (que funciona no primeiro mundo) ou na proibição de venda de bebida alcoólica às margens das rodovias... 11) Insisto que nada nos atrapalha mais do que uma herança individualista onde temos o direito de priorizar o pessoal e o particular em detrimento do coletivo. Povos que priorizam primeiro o grupo e secundariamente o indivíduo mostram coesão social e qualidade de vida – que não pode ser confundida necessariamente com a mera prosperidade material. Impressionante como nos permitimos estacionar irregularmente atravancando o tráfego, como fazemos um grupo esperar por questões de ordem pessoal, etc... 12) não podemos negligenciar outras questões como os novos formato da família e a substituição da função da família na formação moral do indivíduo – papel que cabe à família, não à escola; 13) aliás, nossas escolas continuam no século XIX preparando gente para o mercado, não para a vida 14) padrões morais básicos, como o explícito naquilo que se denomina a Lei de Ouro de Todas as Religiões (judaísmo, cristianismo, hinduísmo, budismo e taoísmo) não nos são ensinado como fundamento de cidadania: trate o outro como queres ser tratado ou b) o mundo só muda se a gente mudar.... 15) A questão da superpopulação é óbvia mas os governantes insistem em não conhecê-la; há 40 anos cantávamos “.... noventa milhões em ação...”. Hoje somos 190 milhões. Que sociedade consegue prover uma população que dobra em 40 anos; ou seja, que em 40 anos se reproduz no nível em que chegou depois de 470 anos? Se considerarmos que a População Economicamente Ativa em média é de 30% da população temos 50 e poucos milhões produzindo para o consumo de 190; E qual Estado ou qualquer outra instância consegue prover tais demandas a partir de uma base restrita de contribuição...? saúde, educação, saneamento, infra-estrutura, habitação, transportes, etc... 16) A Democracia Representativa se mostra um recurso falido na razão direta da falibilidade humana, vide o apartheid que existe entre sociedade e políticos que operam sempre em causa própria exercendo a política na visão mais aviltada como mero jogo de relações de poder e não como arte elevada da promoção do bem estar comum ; No momento em que tecnologia faculta a conectividade (via Internet ou outros meios) a cada cidadão restabelece-se a possibilidade da democracia participativa onde a população pode se expressar , opinar, escolher, votar. Mais rudemente falando, político para quê? Para mediar nossa relação com o Governo? Para quê se hoje podemos fazê-lo diretamente? Haveria questões operacionais a serem implementadas mas o que importa é o conceito: hoje a democracia pode ser participativa e não representativa 17) A omissão criminosa ou a inépcia tem a ver com a nossa formação de caráter: vide as obras inconclusas porque foram iniciadas nas administrações anteriores (“eu vou botar azeitona na empada do outro?) ou “o que é publico não é de ninguém” (quando o que é público é de todos) 18) Nossa política de saúde seria muito mais eficaz se o Governo regulasse como deveria a questão dos alimentos e a cultura da alimentação. O lixo nutritivo que se serve hoje é mais letal que muitas drogas criminalizadas (biscoitos, chips, enlatados, embutidos....). Não vou entrar em detalhes como a questão da assistência formal à saúde. Apenas regular minimamente a questão dos alimentos equivalendo-os à categoria de remédios... 19) O importante é consagrar o que virou clichê do momento mas tende a ser uma verdade absoluta^: a ruptura dos paradigmas, o questionamento de padrões que se perpetuam inercialmente apenas porque não são questionados:
20) é fundamental um choque de mobilização da sociedade; vizinhos de um bairro devem entender que eles são os primeiros responsáveis pela segurança de seu local, apenas para ficarmos no exemplo mais crucial da violência que está fazendo Bagdá se tornar uma aprazível estação de férias perto da possibilidade que temos de assaltos seguidos de morte em qualquer lugar, pelo menos na Grande Vitória.
FÓRUM DE UBÚPREZADOS AMIGOS, COMO MUITOS JÁ SABEM, A PRÓXIMA REUNIÃO DO FÓRUM DE UBÚ SERÁ REALIZADA NO DIA 8 DE OUTUBRO, AS 14 HORAS, NO CCAM, Recanto do Sol, Anchieta. NÃO NOS ESQUEÇAMOS: POR PRESSÃO DA SOCIEDADE CIVIL, O PROMOTOR DA MICRO-REGIÃO SUL CRIOU ESSE FÓRUM DE DISCUSSÕES E DEBATES PARA AS QUESTÕES RELATIVAS À IMPLANTAÇÃO DO PÓLO INDUSTRIAL DE ANCHIETA. ELE REÚNE AUTORIDADES, EMPRESAS E SOCIEDADE CIVIL. É VERDADE QUE SAIMOS FRUSTRADOS DAS TRÊS PRIMEIRAS REUNIÕES. NOSSAS PERGUNTAS CONTINUAM SEM RESPOSTAS E PARECE HAVER UMA TENTATIVA EM TRANSFORMAR TAMBÉM ESSE FÓRUM EM MAIS UM ESPAÇO DE PROPAGANDA DO PÓLO INDUSTRIAL E DO GOVERNO. NA ÚLTIMA REUNIÃO DEIXAMOS CLARO QUE NÃO NOS CONFORMAREMOS MAIS COM RESPOSTAS DO TIPO; "ISSO AINDA NÃO SABEMOS", "ISSO AINDA NÃO ESTÁ PRONTO", "POR ENQUANTO NADA ESTÁ DEFINIDO", "NEM TUDO QUE SAI NOS JORNAIS É VERDADE", "NÃO CONSTA NADA DA BAOSTEEL NO IEMA", ETC, ETC, ETC.!!!! O FÓRUM DAS ENTIDADES DO LITORAL SUL DO ES SOLICITOU ENTÃO QUE O PRÓPRIO SECRETÁRIO DE DESENVOLVIMENTO DO ES VIESSE RESPONDER ÀS NOSSAS QUESTÕES. ONTEM, O PROMOTOR DR. MARCO ANTÔNIO ME COMUNICOU QUE O SR. GUILHERME DIAS ACEITOU O CONVITE PARA PARTICIPAR DA PRÓXIMA REUNIÃO. O TEMPO QUE DEDICAMOS AO EXERCÍCIO DA CIDADANIA É TIRADO DO NOSSO TRABALHO, DA NOSSA VIDA PESSOAL E ISSO FAZ COM QUE SEJAMOS MINORITÁRIOS EM MUITAS REUNIÕES DE EXTREMA IMPORTÂNCIA PARA A COLETIVIDADE E O FUTURO DA REGIÃO, COMO FOI O CASO NAS TRÊS PRIMEIRAS REUNIÕES. POR ISSO PEÇO QUE FAÇAM MAIS ESSE ESFORÇO, COMPAREÇAM. E QUE POSSAMOS DEIXAR CLARO QUE NÃO IREMOS, INDEFINIDAMENTE, ACEITAR PROPAGANDA AO INVÉS DE ESCLARECIMENTOS E VERDADEIRO DEBATE.
Montag, 22. September 2008TUDO SE ENCAIXA EM ANCHIETAAs eleições estão aí e, como a maioria do povo, a única certeza boa que tenho ”para depois” é que meus ouvidos e olhos voltem a ter uma relativa paz. Eles são o próprio campo de batalha dos candidatos, que não pedem licença para invadi-los. Quase oitenta candidatos disputam uma vaga para vereador e a maioria demonstra uma total ignorância quanto às atribuições daqueles que ocuparão o tão almejado cargo. Alguns até sabem, mas confiam na ingenuidade do povo para prometer coisas que são até da alçada do Governo Estadual ou Federal . Já para prefeito seria talvez até mais fácil se me pedissem para escolher entre a peste e o cólera. Em Anchieta, os dois principais candidatos trabalham com esmerada acuidade na clássica estratégia de demolir o adversário, ao colocar seus podres na rua. O interessante nesse velho esquema é observar que há uma linha que parece demarcar exatamente até que ponto cada um pode chegar, o que pode sugerir até mesmo um “acordo entre cavalheiros”. Porque até eu sei de coisas bem piores do que as que têm sido apresentadas por aí. Perguntas simples poderiam e deveriam vir à tona: Como estão os vários processos de improbidade administrativa do ex-prefeito? Morreu tudo na praia, como se nada fosse? Mas trata-se de milhões que se esvaíram dos cofres públicos, inclusive muito dinheiro da saúde. Já imaginaram quantas pessoas pagaram com a própria vida o que seria, na melhor das hipóteses, incompetência ou negligência? Se o atual prefeito quisesse provar que sua casa não é de vidro, não seria esse o caminho mais curto? Sim, porém perigoso. Basta olhar os sinais exteriores de enriquecimento de alguns de seus colaboradores - tanto oficiais quanto não oficiais - para se ter uma idéia de que a vaca administrativa está dando leite do bom e do melhor. Exemplos são muitos e se eu me referisse apenas aos que conheço, ainda assim seria só a ponta do iceberg. Então, vou ficar só com um, que é a compra pela prefeitura, há dois anos, de uma casa em Iriri, que se tornou PSF. Será que é simples coincidência também, só agora o MP começar a desengavetar o processo? O certo é que essa demora serviu para poupar o prefeito de uma propaganda negativa na atual campanha pois até tudo acabar ele já estará provavelmente reeleito. Mas vamos relembrar o episódio: Em finais de 2006 a administração Edval Petri adquiriu uma casa em Iriri para transformá-la em unidade de Saúde. Contrariando a lei, o Conselho de Saúde não foi notificado da transação. Fomos quatro conselheiros a levar a questão ao MP. A lista de irregularidades era grande: 1. O Conselho e Saúde não foi consultado; 2. A casa era pouco maior que o precedente imóvel; 3. O lugar era de difícil acesso para pessoas doentes; 4. A avaliação do imóvel foi feita “apenas” pela própria prefeitura; 5. O proprietário era um conhecido do prefeito. 6. Eram grandes os indícios de superfaturamento; 7. A casa não atende às exigências do SUS. 8. O imóvel foi “desapropriado”, até aí, nada de mais. Porém, na justificativa para essa desapropriação, o argumento principal foi a “necessidade de se preparar Anchieta para o futuro” já que as previsões apontam que a população chegará a 40 mil habitantes nos próximos anos. Também foi dito que o local era o mais apropriado e que não haviam encontrado nada melhor. Os conselheiros perguntaram: Mas já que fizeram uso da lei que permite uma desapropriação em caso de utilidade pública, porque não foi desapropriado um terreno onde pudesse ser construído um PSF que atendesse às exigências do SUS e as atuais e futuras necessidades? Não foi esse último, o argumento principal evocado para a compra? Durante dois meses e meio a secretária de saúde se esquivou tanto das reuniões ordinárias do Conselho de Saúde quanto de nossas reiteradas demandas para uma reunião extraordinária, onde pudesse nos prestar esclarecimentos. Quando finalmente apareceu, negou- se a fornecer explicações alegando que estava se sentindo ofendida e que, assim sendo, nós nos encontraríamos no MP. Ela parecia contar com o total silêncio do MP durante quase dois anos. Mais ou menos três ou quatro semanas atrás recebo finalmente um convite para depor no MP, mas ele foi cancelado na véspera com a alegação de que o promotor estava doente. Semana passada, outro convite. Só que não fui recebida pelo promotor, era um assistente. Então, se era para falar com seu assistente, porque ele havia cancelado a primeira vez, alegando doença? Então? Tudo coincidência? A alegação de existirem em Anchieta dez mil casos para um só promotor e um só juiz, é a desculpa mais esfarrapada que poderiam encontrar. Isso acontece por quê? A quem beneficia? Porque, quando se trata de resolver questões ligadas ao pólo industrial, não existe nada que não possa ser resolvido? Além do mais, qualquer pessoa que tenha muito trabalho, ataca primeiro as prioridades, isso é válido para qualquer um. Mas, pelo visto, improbidade administrativa não é uma prioridade por aqui. A observância das leis também não. Um dos melhores exemplos foi a criação do Conselho de PDM e Desenvolvimento pelo prefeito de Anchieta, onde TODOS os conselheiros foram por ele escolhidos, ocasião em que o MP também preferiu se omitir. Assim, todas as equações feitas, a única prioridade em Anchieta parece ser mesmo o Pólo Industrial. A partir desse ângulo, tudo se encaixa, é coerente, lógico, dentro dos trilhos. A máquina está bem montada, reconheçamos. Nesse contexto, também é lógico que os artífices locais da implantação do Pólo Industrial de Anchieta, sejam poupados e protegidos. Freitag, 19. September 2008A ILUSÃO DO PODERA decisão do Governo capixaba de transformar o maravilhoso litoral sul do Espírito Santo em pólo industrial e quintal do primeiro mundo, pode nos levar a esquecer que nossa região é apenas um alvo a mais do poder econômico que domina atualmente o mundo. A versão capixaba do exercício desse poder tem certamente sua coloração própria que é fornecida, em primeira linha, pela extrema flexibilidade das leis brasileiras e uma corrupção atávica, nascida com a própria colonização do Brasil. O comportamento de muitos governadores brasileiros parece uma triste herança das capitanias hereditárias e nosso Governador é um exemplo. A teoria de que tudo é relativo parece ter nascido no Brasil porque, aqui, até a democracia é relativa. Como numa democracia, o governante é eleito pelo povo mas, como numa ditadura, uma vez eleito ele pode tentar governar só e absoluto, como se o voto dos eleitores significasse carta branca até para a tomada de decisões temerárias. Em teoria, de acordo com a constituição, todos os cidadãos têm os mesmos direitos. Na prática, o acesso a esses direitos depende quase sempre de PODER e/ou dinheiro. Nosso emaranhado de leis e a burocracia necessária para cumpri-las, tanto podem levar um inocente à prisão, quanto deixar em liberdade um notório usurpador de dinheiro público. O primeiro fica enrascado no emaranhado, o segundo dele se beneficia. Somos um país de dois pesos e duas medidas. Em que outro país do mundo poderia haver dois tipos de prisão, uma para os ricos, que geralmente pouco lá ficam, e outra para os pobres, que lá serão amontoados e esquecidos? Assim, de mentira em mentira, o barco segue em frente. A mentira se instalou, se institucionalizou, ganhou ares de respeito, foi globalizada. Se a nação mais poderosa do mundo pôde invadir outra, apenas por razões econômicas, o que querem mais? O mundo preferiu fingir que acreditava nos nobres motivos alegados para a invasão. E calou-se, por razões econômicas. A China invadiu e massacrou o Tibete, mesma coisa. Nosso Presidente, que tanto gosta de falar em direitos humanos, nunca quis se manifestar a respeito disso, por que será? Ao contrário, não perde uma oportunidade para elogiar e estreitar laços com a maior nação do mundo, a mais injusta com seus cidadãos. Assim, não devemos esperar que um Paulo Hartung seja diferente. Somos uma amostra de um mundo onde os interesses dos fortes serão sempre priorizados em detrimento dos interesses coletivos. Mas o que não podemos fazer é cristalizar a idéia de que é assim e sempre será. O processo de evolução é lento e parece muitas vezes estagnado. As nações do mundo e seus diferentes sistemas de governo - especialmente o modo como esses sistemas são colocados em prática -, mostram que a evolução é um processo eterno e dinâmico, nada é definitivo. A história nos apresenta uma incrível seqüência de ascensões e quedas, tanto de nações, quanto de homens, tanto de civilizações, quanto de crenças. Ela é também pontilhada pelo surgimento de movimentos, cuja origem exata é até difícil de identificar. O que é de cima para baixo, fica claro na história já que os livros transbordam com as façanhas dos dominadores e conquistadores. Porém, as grandes mudanças não têm data fixa. Elas surgiram de baixo para cima e, quase de repente, estavam lá. Assim foi com a Revolução Francesa, com a Revolução Russa. Mais recentemente, a queda do Muro de Berlim - que tem data fixa - mostra a eclosão de uma nova consciência que ninguém sabe, exatamente, quando e onde começou. E as Diretas Já? Querem melhor exemplo? Nossa pequena amostra do mundo e do Brasil, a terra capixaba, não é exceção. Uma nova consciência de cidadania está surgindo mas, por enquanto, Governo e multinacionais tentam ignorá-la. Até quando? Talvez tenham que refrescar a memória e rever a história. Esperamos que façam isso, antes que seja tarde demais. Freitag, 12. September 2008O MARKTING VERDEMe contaram que, por ocasião dos jogos olímpicos na China, o Governo local providenciou para que os visitantes estrangeiros fossem poupados da visão da miséria das favelas chinesas colocando imensos painéis com lindas paisagens nos pontos mais estratégicos por onde eles passariam. Mesmo que tenham gasto uma fortuna incalculável para maquiar a realidade do país, tornou-se impossível maquiar tanta miséria e a única solução foi escondê-la. Há apenas alguns anos surgiram as primeiras denúncias de órgãos e entidades internacionais sobre a maquiagem verde das grandes empresas e lá vem a China e nos apresenta até onde isso pode chegar. Lá, não dá mais nem para maquiar, eles têm é que tapar mesmo. As empresas publicitárias brasileiras especializadas em maquiagem verde parecem estar em plena expansão, que ocorre em perfeita simetria com o sucesso das grandes empresas poluidoras. Seria difícil escolher qual a publicidade mais linda e mais falsa entre o que nos oferece a Petrobrás, a Vale, a Aracruz Celulose, que parecem ser as grandes campeãs. Não sei se existe no Brasil alguma regulamentação que possa impedir uma empresa com grande passivo ambiental de vender uma imagem ambientalmente correta, mas existem certamente outras formas de abordar e corrigir a mentira publicitária. Exemplo disso aconteceu em Abril deste ano quando o Conar, que é o órgão de regulamentação publicitária, acatou denúncia de entidades ambientalistas e ordenou a retirada de dois anúncios da Petrobrás. Eles divulgavam a idéia de que a empresa contribui para a qualidade ambiental e o desenvolvimento sustentável no país quando, na verdade, o diesel da Petrobrás é considerado um dos mais poluentes do mundo. A resolução 315/2002 do Conama determina que a partir de 1 de janeiro de 2009, o diesel comercializado no Brasil contenha, no máximo, 50 partes por milhão de enxofre (ppm S). ELA É HOJE DE 500 ppm S nas regiões metropolitanas E DE 2000 ppm S NO INTERIOR. Só na capital paulista é responsável por 3 mil mortes por ano! Esconder uma barbaridade dessas por trás de uma publicidade verde é igualzinho ao que os chineses fizeram ao esconderem suas miseráveis favelas com lindos painéis representando uma natureza intacta. Mas essa decisão, inédita, nos deixou pelo menos algumas esperanças quanto a uma possível mudança nos paradigmas publicitários brasileiros mesmo que, se isso ocorrer, será apenas como resultado da pressão exercida por cidadãos, entidades e autoridades responsáveis. Se não reagirmos, o marketing verde continuará a engolir os discursos dos ambientalistas e de todos aqueles que lutam pela ética e pelo respeito aos direitos humanos, da mesma forma que as mega-empresas continuarão a engolir nossa biodiversidade, nossas paisagens, nossos recursos naturais, nossa saúde e qualidade de vida. Como um buraco negro. Mittwoch, 10. September 2008MATÉRIA SÉCULO DIÁRIOMoradores do sul mantêm guarda, apesar do recuo do governo sobre Baosteel Ubervalter Coimbra Os moradores do sul do Espírito Santo, ambientalistas e militantes dos direitos humanos à frente, não vão descuidar em relação à poluição, mesmo com o recuo do governador Paulo Hartung em relação à instalação da siderúrgica chinesa Baosteel e da Vale na região. O apoio era irrestrito ao projeto, mas mudou, entre outros, pela intervenção da Igreja Católica. Os ambientalistas afirmam que vão se manter em alerta, e que não só a Baosteel é ameaça à comunidade. Comemoram, contudo, a informação sobre o recuo do governador Paulo Hartung em relação ao projeto, divulgada com exclusividade por Século Diário. Bruno Fernandes da Silva, presidente do Grupo de Apoio ao Meio Ambiente (Gama), informou que considera a chance de a Baosteel e a Vale instalar sua siderúrgica em Ubu, no município de Anchieta, da ordem de 5%. Mesmo assim, a empresa só virá para o Estado, “se os movimentos sociais pedirem. E isso não vai acontecer”. É que a comunidade já sofre, demais, com a poluição causada pela Samarco, Vale e a anglo-australiana BHP Billiton, que tem três usinas de pelotização na área. Para os moradores, a poluição já é insuportável. As lideranças esperam, contudo, informações complementares sobre o projeto do governo para a região. No dia 8 de outubro, às 14 horas, na Samarco, as entidades do chamado Fórum de Ubu conhecerão as conclusões da “Avaliação Ambiental Estratégica” feita pelos empresários e governo sobre a implantação do pólo industrial de Ubu. Participam do fórum o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), a Agência de Desenvolvimento em Rede do Espírito Santo (Aderes), o Ministério Público Estadual (MPES) e o Fórum das Entidades Civis Organizadas do Litoral Sul do Espírito Santo. Depois de conhecer as informações, as lideranças da sociedade civil “botam o bloco na rua”, diz Bruno Fernandes. As lideranças sabem que “a casa caiu” para o governador, no caso da Baosteel. Mas o governador reserva outros projetos para a região, como uma refinaria de petróleo. Há ainda, o interesse da Vale em construir novas usinas de pelotização na área: poderão ser dez unidades deste tipo em Ubu. Hoje são três. Sem contar o projeto do Grupo Ferrous Administração Portuária, formado por dez fundos de investimentos, majoritariamente de ingleses, norte-americanos e australianos, para o extremo sul. Da Ferrous serão construídos em Presidente Kennedy, além do porto e das três pelotizadoras de minério, com capacidade para produzir 21 milhões de toneladas anuais, um mineroduto, com aproximadamente 400 quilômetros, com 36 polegadas de diâmetro, para abastecer as usinas. Não há, pois, como cantar vitória e parar a luta com o recuo sobre a usina da Baosteel. “A poluição está insuportável, com impacto na vida das pessoas, inclusive na economia da região”, assinala Bruno Fernandes da Silva. Os moradores sabem que já contiveram a Liquifer, siderúrgica que seria implantada na região e, agora, a Baosteel. “Mas não há garantia de que não vão tentar implantar outros projetos danosos à região. Não dá para parar a briga”, conclui o presidente do Gama. Ilda de Freitas, do Programa de Apoio e Interação Ambiental (Progaia), outra ONG de Anchieta, diz que “dependendo dos líderes que integram o Fórum da Entidades Civis Organizadas do Litoral Sul do Espírito Santo, o governador vai amarelar muito mais”. Lembra que o fórum discute uma posição oficial sobre a Baosteel. Mas que o Progaia tem posição “não apenas contra a Baosteel, mas contra qualquer empresa cujo porte signifique a destruição total da região. Já a fase de implantação de uma empresa dessas significaria um caos sem retrocesso e devemos lutar com todas as nossas forças para evitar isso”. Então a dirigente do Progia afirma ser “contra o pólo industrial enquanto não houver um EIA para o pólo, realizado por empresa idônea e neutra. Até agora só temos propaganda, nada mais. Se não existem estudos sérios e aprofundados, a propaganda é falta de respeito com a população e uma grande irresponsabilidade por parte do governo e isso torna claro que o pólo só interessa mesmo às multinacionais e àqueles que, de um jeito ou de outro irão se beneficiar com ele”. Na sua análise afirma que “tentam convencer o povo de que o pólo trará empregos e desenvolvimento? Que desenvolvimento? Não existe desenvolvimento sem qualidade de vida, que seria impossível com o caos. Emprego parece ser a palavrinha mágica para ganhar adeptos e isso é explorado de forma desavergonhada pelos propagandistas do pseudo-progresso”. Ensina: “Primeiro devemos nos perguntar: que tipo de emprego? A implantação da terceira usina da Samarco mostrou claramente que essa não é uma preocupação do governo. A população local teve que se contentar com sub-empregos, toda a mão-de-obra qualificada veio de fora com as empreiteiras. Foi criado um curso do Sebrae para ‘capacitar’ os trabalhadores locais a trabalharem com os ‘especializados’ importados de outros estados. Nossa população continua e continuará pelo menos pelos próximos anos, sem condições de acesso à melhores oportunidades”. Assinala que “a escola técnica prevista para a região está longe de ser uma realidade, por enquanto só existe um terreno. Terá que ser construída e isso levará quanto tempo? E quando sairão os primeiros trabalhadores especializados dessa escola? No mínimo, em quatro anos. Mas eles querem o pólo já”. No seu alerta, Ilda de Freitas diz que “seremos a terra dos peões, condenados a serem peões pelo resto da vida e ainda concorrerem com os milhares de trabalhadores que virão de outras regiões? Eles viverão de quê, onde morarão? Nas ruas? O que comerão se os preços dos alimentos serão inacessíveis até para quem tiver emprego? Pensaram nisso? De onde virão os alimentos se a especulação imobiliária já faz com que muitos vendam suas terras para as industrias? É essa a noção de desenvolvimento sustentável deles? E a água? Se estudos já apontam para o problema da água no futuro, mesmo sem a instalação das indústrias, o que sobrará para a população?”. A ambientalista denuncia: “Quem está cuidando de todas as questões ligadas ao uso do solo? Essa questão é simples: é o Conselho de PDM criado pelo prefeito onde todos os conselheiros foram escolhidos por ele, questão em que o MP se negou a intervir apesar de nossos ofícios e clamores! Resultado: as invasões continuam e a Cesan põe água e a Escelsa põe luz....As áreas verdes partem em chamas e, às margens de nossas lagoas, já terrivelmente assoreadas, brotam as primeiras favelas. E finaliza: “Em Anchieta o prefeito tenta enganar a população dando uma falsa visão de infra-estrutura. Está asfaltando todas as ruas do centro. Antes de colocar esgoto, sem escoamento para a água, é patético!”. Dienstag, 9. September 2008A IMPRENSA MARROM E A VERDEQual é a cor da imprensa? Uma expressão muito comum nos anos da ditadura parece estar voltando à moda: “imprensa marrom”. Interessante como as coisas voltam... seria simples coincidência? Numa reunião que dizia respeito ao Pólo Industrial de Anchieta, uma das autoridades fez referência “às mentiras da imprensa marrom” no ES. Um jovem me perguntou o que isso significava. Expliquei que era uma expressão muito comum na época da ditadura e isso se referia à imprensa subversiva, marginal ou de má qualidade. Lembrei também que nessa época, a expressão se referia quase sempre às publicações contrárias ao sistema e muitos jornalistas pagaram caro por isso. Nas últimas semanas voltei a escutar a expressão, sempre por parte de pessoas ligadas ao poder público e sempre no contexto “desenvolvimentista” do governo. De acordo com meu velho Aurélio, Imprensa Marrom é "a que explora o sensacionalismo, dando larga cobertura a crimes, fatos escabrosos e anomalias sociais". A internete me forneceu mais algumas informações. A imprensa marrom brasileira seria nossa versão do "yellow journalism” americano, ou imprensa amarela, sensacionalista, focada em coisas escabrosas. Não fiquei muito satisfeita com essa versão tão simplista e na minha pequena busca não achei nada que confirmasse minha opinião de que o foco da imprensa marrom no Brasil foi quase sempre político, pelo menos no período em que todos conheciam essa expressão, ou seja, na época da ditadura militar. Talvez por isso mesmo ela tenha se tornado marrom, que é uma cor mais para se esconder do que para aparecer... Para ilustrar isso, olhem o que encontrei na internete: Quanto o general Ernesto Geisel prometeu uma “abertura lenta, gradual e segura” alguém cobrou dele mais liberdade de imprensa, ao que ele respondeu: "No Brasil, só imprensa marrom não tem liberdade". Parece mesmo que, para existir uma imprensa “marrom” é necessário que aja um “padrão de imprensa oficial”, imposto pelo poder vigente. Como na época da ditadura, é ele que determina o que o povo pode e o que não pode saber, além do que é bom, certo, ético, etc, mesmo que O TAL PODER seja o contrário de tudo isso! O PODER econômico também se utiliza das cores para favorecer seu marketing. A cor verde será sempre a preferida das empresas poluidoras, dêem uma olhada nos seus impressos, na sua propaganda. O último artigo que publiquei aqui descreve muito bem o que é a “maquiagem verde”. Sonntag, 7. September 2008Sustentabilidade de mentirinhaParece, mas não é: como identificar o falso sustentável No balaio do falso sustentável, há pelo menos dois comportamentos distintos que têm em comum o fato de não contribuírem de verdade para uma mudança de paradigmas. Um é o do empresário "ingênuo", que até quer fazer algo, mas não se informa sobre o assunto, age de modo equivocado e acaba não contribuindo para uma modificação do processo. Outro é aquele que, apesar de adotar um discurso em que se define como sustentável, não age de acordo, mantendo velhos padrões de produção voltados apenas para o lucro dos acionistas. É o que em inglês recebeu o nome de greenwashing, ou seja, lavar sua imagem dizendo que é uma empresa verde, mas que continua provocando impacto ambiental. "Um dos modos mais comuns de fazer isso é, por exemplo, financiar uma ONG com alguma atividade ambiental para esconder que promove impactos pesados, como desmatamento, poluição", afirma Paulo Itacarambi, diretor-executivo do Instituto Ethos, ONG que trabalha com empresas para ajudá-las a gerir seus negócios de forma socialmente responsável. "Nesses casos costuma-se investir em um marketing agressivo, mas ele é descolado da gestão. Essas informações não aparecem nos relatórios de sustentabilidade, não há transparência", comenta a diretora-executiva da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), Clarissa Lins. No exterior, em especial nos países desenvolvidos, esse movimento já é tão disseminado que resultou numa lista dos "seis principais pecados do greenwashing", elaborada pela agência canadense de marketing ambiental TerraChoice. Há 20 anos observando propagandas de apelo verde, a equipe da agência percebeu que o greenwashing cresceu à medida que aumentou o interesse do público por questões ambientais. A análise das promessas nas embalagens de mais de mil produtos disponíveis em mercados americanos serviu de base para a definição dos pecados. O primeiro e mais comum é o dos malefícios esquecidos - produto destaca um benefício ambiental, como ser reciclável, mas não menciona quanta energia é gasta para sua produção, ou diz que é feito sem testes em animais, mas sua decomposição pode prejudicar a cadeia alimentar. Outros problemas observados pela equipe são: falta de provas (como lâmpadas que anunciam maior eficiência energética sem apresentar qualquer estudo comprovando); promessa vaga (produto traz dizeres como "verde", "ambientalmente produzido" ou que é "livre de químicos" sem detalhamento); irrelevância (destaca um benefício que é uma obrigação, como ser livre de CFC, substância banida do mercado americano) e a mentira mesmo. O último é o chamado "pecado de dois demônios", que até traz alguns benefícios reais, mas em produtos cuja categoria é questionada, como cigarros orgânicos. Erro de avaliação - Entre os "equivocados", explica Clarissa Lins, é comum a empresa confundir sustentabilidade com filantropia e assistencialismo, como adotar uma creche ou uma praça e dizer com isso que é sustentável. "Não adianta, por exemplo, plantar árvores, sem rever o nível das suas emissões de gases de efeito estufa, fazer gestão de resíduos ou diminuir o consumo de água." Muitas estão ainda mais longe disso, porque nunca inventariaram suas emissões para identificar fontes onde é possível fazer reduções. Outras têm o dever de reduzir emissões estabelecido por órgãos ambientais, mas anunciam isso como se fosse uma posição inovadora da empresa. Nessa linha de contar vantagem em cima do cumprimento da lei também é comum ver empresas se vangloriando de respeitar a reserva legal e as matas ciliares, comentam especialistas ouvidos pelo Estado. Ainda mais grave é fazer apenas algumas mudanças consideradas "cosméticas" sem observar o impacto de sua cadeia de produção. "De que adianta uma construtora, por exemplo, fazer um prédio com captação da água de chuva e aquecimento solar da água de chuveiro sem olhar para seus materiais. A madeira vem de desmatamento? A fabricação do aço tem trabalho escravo, a olaria usa trabalho infantil?", questiona Paulo Itacarambi, do Ethos. (Fonte: Estadão Online) Montag, 1. September 2008ContinuaçãoMas prefiro voltar à reunião do Fórum das Entidades Civis Organizadas do Litoral Sul do ES porque é nele que estaremos amarrando todas essas questões. O primeiro item da pauta foi a Discussão e aprovação do lema do Fórum: Desenvolvimento com respeito aos Direitos Humanos e aos limites ecológicos da região. Frase-chave: Espírito Santo em Re-ação. Todos concordamos que a própria criação do fórum caracteriza a ESPÍRITO SANTO EM RE-AÇÃO, em clara oposição à Ong das multinacionais, a Espírito Santo em Ação, criada para planejar e implantar o novo ciclo econômico do Estado numa arrojada investida contra a democracia, ao meio ambiente e aos direitos humanos. O pior é que tudo dentro de uma fachada de legalidade, já que conta com o aval de muitos daqueles que são pagos para garantir o cumprimento das leis, os direitos humanos, o respeito à constituição. Na verdade a sociedade foi praticamente “engessada” pelo pernicioso esquema engendrado pela coalizão do Governo com as multinacionais. Na seqüência, estamos criando um NÚCLEO DE DIREITOS HUMANOS na região mas por enquanto, por motivos que considero óbvios, não darei detalhes do que foi discutido. O segundo item da pauta: Relatórios de participação em eventos, comissões e conselhos, teve como foco a dificuldade que está sendo criada para dificultar o acesso da sociedade civil, especialmente as ongs ambientalistas, às políticas públicas. O fato do Governador PH ter baixado um decreto obrigando as ongs ambientalistas a se cadastrarem no Iema é exemplo disso. Foi exigida uma batelada de documentos, tudo com reconhecimento de firma, registro em cartório, etc. Isso significa trabalho, tempo, dinheiro, enfim, tudo o que falta para o cidadão normal e sobra para as empresas. Betinho dizia que ‘Democracia serve para todos ou não serve para nada” e aí me pergunto se podemos ainda chamar nosso sistema de democracia. Se alguma lei atrapalha o caminho do PLANO, mudam a lei ou fazem um decreto, de forma ostensiva. Outro exemplo: matéria no site da Espírito em Ação, que prova como a ong das multinacionais, a Espírito Santo em Ação, está até cuidando das mudanças de leis. Cito: “Membros do Espírito Santo em Ação estiveram reunidos na última sexta-feira (11) para concluir as sugestões de reformulação da Lei nº 5.361 que regula a política florestal no Espírito Santo. Dentre as propostas que serão apresentadas, estão adequações em geral relacionadas ao meio ambiente.” Mais adiante eles dizem que “a proposta de modificação da lei foi elaborada em conjunto durante várias reuniões por membros do Conselho de Agronegócio, do Conselho Florestal, Conselho de Pecuária, da Câmara de Meio Ambiente, além da Federação de Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes) e outras entidades ligadas ao setor.” Mas cotinuando. Pudemos também relatar e discutir o que foi a segunda reunião do Fórum do MP, criado pelo Dr. Paulo Sérgio da Silva, promotor de MA da região, com o objetivo de colocar frente a frente a sociedade civil, poder público e MP para que todas as questões relativas ao pólo possam ser discutidas. Essa segunda reunião provocou grande frustração nos líderes presentes já que a primeira parte foi dedicada a criticar os líderes ausentes. As questões levantadas pelas sociedade civil na primeira reunião ficaram sem respostas pois Dr. Paulo Sérgio havia se esquecido da ata que havia sido lavrada pela sua secretária. Insistimos que só poderíamos trabalhar se tivéssemos a ata e aí começou todo um trabalho para que ela fosse enviada e o tempo passou. Enquanto isso Dr. Paulo Sérgio anunciou que estava indo embora e é o Dr. Marco Antônio Nogueira que irá susbstituí-lo na próxima reunião. Enquanto isso também, a Sra. Suey Passoni convidou a mim e ao Professor Roberto de Mãe-bá para irmos à China, visitar a Baosteel para podermos avaliar a empresa que pretende se instalar aqui e que tem sido motivo de tanta polêmica. Ela assegurou tratar-se de uma das empresas mais modernas do mundo mas, ao mesmo tempo afirmou que não existe ainda nada no Iema da Baosteel.... Esperamos poder falar disso outra vez na próxima reunião amanhã, dia 2. Afinal, se não existe nada, como se explica a ação da Baosteel na região? Até terraplanagem a empresa já começou, sem licença, sem nada.. Se não existe nada, como o Iema convocou reunião para discutir as perfurações da Vale/Baosteel em Anchieta, visando um futuro porto? Muitas questões, nada de respostas. Nesse contexto o convite para ir à China é tão coerente quanto um murro no olho, o que conta é se encaixar... Mas sou obrigada a ficar por aqui...até a próxima.
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Comentários
Mo, 28.08.2006 15:46
Roberto Luquini, obrigada pela s suas palavras. Só hoje posso responder-lhe pois estive, ma is uma vez, com problema [...]
Fr, 11.08.2006 19:49
É, Ilda, pelo visto a luta con tinua, né? Se houvesse mais ge nte como você nesse nosso Bras il, o país seria outro. [...]
Sa, 15.04.2006 05:06
Je sais que tu es très critiqu e sur les actions écologiques des sociétés, mais je ne parta ge pas tout à fait ton a [...]
Mi, 15.03.2006 19:43
Oi mae, qual e o endereco web do PROGAIA?
Mo, 27.02.2006 20:49
Vielleicht gibt es ja doch noc h ein Hoffnung für die Menschh eit??