Me contaram que, por ocasião dos jogos olímpicos na China, o Governo local providenciou para que os visitantes estrangeiros fossem poupados da visão da miséria das favelas chinesas colocando imensos painéis com lindas paisagens nos pontos mais estratégicos por onde eles passariam.
Mesmo que tenham gasto uma fortuna incalculável para maquiar a realidade do país, tornou-se impossível maquiar tanta miséria e a única solução foi escondê-la.
Há apenas alguns anos surgiram as primeiras denúncias de órgãos e entidades internacionais sobre a maquiagem verde das grandes empresas e lá vem a China e nos apresenta até onde isso pode chegar. Lá, não dá mais nem para maquiar, eles têm é que tapar mesmo.
As empresas publicitárias brasileiras especializadas em maquiagem verde parecem estar em plena expansão, que ocorre em perfeita simetria com o sucesso das grandes empresas poluidoras. Seria difícil escolher qual a publicidade mais linda e mais falsa entre o que nos oferece a Petrobrás, a Vale, a Aracruz Celulose, que parecem ser as grandes campeãs.
Não sei se existe no Brasil alguma regulamentação que possa impedir uma empresa com grande passivo ambiental de vender uma imagem ambientalmente correta, mas existem certamente outras formas de abordar e corrigir a mentira publicitária.
Exemplo disso aconteceu em Abril deste ano quando o Conar, que é o órgão de regulamentação publicitária, acatou denúncia de entidades ambientalistas e ordenou a retirada de dois anúncios da Petrobrás. Eles divulgavam a idéia de que a empresa contribui para a qualidade ambiental e o desenvolvimento sustentável no país quando, na verdade, o diesel da Petrobrás é considerado um dos mais poluentes do mundo.
A resolução 315/2002 do Conama determina que a partir de 1 de janeiro de 2009, o diesel comercializado no Brasil contenha, no máximo, 50 partes por milhão de enxofre (ppm S). ELA É HOJE DE 500 ppm S nas regiões metropolitanas E DE 2000 ppm S NO INTERIOR. Só na capital paulista é responsável por 3 mil mortes por ano!
Esconder uma barbaridade dessas por trás de uma publicidade verde é igualzinho ao que os chineses fizeram ao esconderem suas miseráveis favelas com lindos painéis representando uma natureza intacta.
Mas essa decisão, inédita, nos deixou pelo menos algumas esperanças quanto a uma possível mudança nos paradigmas publicitários brasileiros mesmo que, se isso ocorrer, será apenas como resultado da pressão exercida por cidadãos, entidades e autoridades responsáveis.
Se não reagirmos, o marketing verde continuará a engolir os discursos dos ambientalistas e de todos aqueles que lutam pela ética e pelo respeito aos direitos humanos, da mesma forma que as mega-empresas continuarão a engolir nossa biodiversidade, nossas paisagens, nossos recursos naturais, nossa saúde e qualidade de vida. Como um buraco negro.
Comentários
Mo, 28.08.2006 15:46
Roberto Luquini, obrigada pela s suas palavras. Só hoje posso responder-lhe pois estive, ma is uma vez, com problema [...]
Fr, 11.08.2006 19:49
É, Ilda, pelo visto a luta con tinua, né? Se houvesse mais ge nte como você nesse nosso Bras il, o país seria outro. [...]
Sa, 15.04.2006 05:06
Je sais que tu es très critiqu e sur les actions écologiques des sociétés, mais je ne parta ge pas tout à fait ton a [...]
Mi, 15.03.2006 19:43
Oi mae, qual e o endereco web do PROGAIA?
Mo, 27.02.2006 20:49
Vielleicht gibt es ja doch noc h ein Hoffnung für die Menschh eit??