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Sonntag, 6. April 2008CONSELHO DE M.A.: NOVELA ETERNA- Cont.Vou tentar, rapidinho, fazer um resumo das questões mais marcantes do encontro, além do que já relatei. Tive, pela primeira vez, a oportunidade de encontrar com o novo Promotor de Anchieta, aliás já há vários meses no cargo. Evidentemente que levantei a questão do Conselho de PDM, Desenvolvimento e, como consta na sua criação "também de Meio Ambiente", o que, segundo seus criadores, agora é apenas chamado de "erro de nomenclatura". Mas os meses passam e esse "erro de nomenclatura", tão simples quando foi criado, parece depender agora de uma infinidade de coisas para ser corrigido. Na verdade, é aquela velha história do "se colar fica assim". Como não colou, virou "erro de nomeclatura". A tentativa de dar uma rasteira nos ambientalistas foi clara, ninguém é idiota de pensar o contrário. Mas tudo foi ilegal e errado nesse conselho que alías, continua funcionando bonitinho para a platéia. Quando reclamei por não nos ter recebido, Dr. Thiago alegou a massa de trabalho que tem para fazer, quase sozinho. Disse que, apesar de não nos ter dado satisfações, nosso ofício não tinha sido em vão e que ele tomou as medidas necessárias para que os conselheiros ligados à prefeitura fossem afastados e substituídos. Mas o tempo curto limitou as explicações, sendo que a principal é o fato do prefeito ter, mais uma vez, escolhido todos os membros desse Conselho. Continua tudo ilegal, claro! Onde fica o Estatuto da Cidade nisso tudo? Continuo me perguntando qual a utilidade das leis se cada um pode fazer o que bem entender. Samstag, 5. April 2008CONSELHO DE M.A.: NOVELA ETERNANo último dia 2 tivemos uma reunião convocada pelo Dr. Paulo Sérgio da Silva, Promotor responsável pelo Meio Ambiente de Anchieta para tratarmos, de forma preliminar, da criação do Conselho de Meio Ambiente do município. Essa é uma questão que se arrasta há anos e tudo tem sido feito para impedir que o Conselho seja formado pois isso poderia afetar, em muito, os interesses das multinacionais e dos nossos políticos que estão, em primeira linha, comprometidos apenas com seus próprios interesses. Problemas na distribuição dos convites reduziu o número de participantes a apenas 9 pessoas entre as quais o promotor de Anchieta, Dr. Thiago, a Dra. Sueli Passoni, diretora do Iema e o Sr. Hermam Damázio, Secretário de MA. Só fiquei sabendo da reunião poucas horas antes e outro compromisso reduziu minha participação no encontro a apenas uma hora e meia. Melhor do que nada, já foi um começo. Mas será mesmo?A reunião que seria naturalmente densa pela diversidade de tópicos a serem abordados, tornou-se também tensa devido às interferências do Secretário de MA, cujo foco, como sempre, foi enaltecer o próprio trabalho. Seus argumentos poderiam até levar alguns a deduzir que um Conselho de MA só poderia “atrapalhar” seu excelente desempenho. Reclamou também que eu, ao invés de procurar o diálogo e recorrer à Secretaria de Meio Ambiente e a ele para as questões importantes, tinha a mania de ir direto ao MP. Pessoalmente não tenho nada contra o Secretário de MA e o nosso relacionamento, apesar de todas as divergências, tem sido respeitoso. Mas não posso dizer que seja um homem de diálogo nem aberto à participação da sociedade civil nas políticas públicas. Ele segue a linha do prefeito, aparentemente sem qualquer questionamento o que, aliás, é característica comum a todos os secretários do Sr. Edval Petri. Com relação a isso me vem uma reflexão. Todos os dias podemos constatar as incoerências das pessoas (especialmente dos políticos) que tentam acender uma vela para Deus e outra pro diabo, já no café da manhã. A vela para Deus é aquela dos princípios, dos valores morais, da postura ética, da coerência entre pensar, falar e agir. A do diabo é muito simples: o que eu vou ganhar com isso? Claro que não dá para acender as duas e é essa tentativa que resulta em incoerências. Se a vela para Deus é de faz de conta, ela não resiste a nenhum diálogo nem debate. Por isso mesmo os políticos preferem os discursos, sem possibilidade de interferência, de cima pra baixo. Além da tática de impedir que os antagonistas se manifestem, existem mais duas que conhecemos bem dos debates políticos. Uma é desviar o foco da conversa e a outra é passar ao ataque e obrigar o outro a se defender. Foi o que o secretário de MA fez. Voltarei ao assunto, ainda não acabou mas, por hoje, quero encerrar com o exemplo da incoerência do Sr. Secretário: Ao me acusar de ir direto para o MP em vez de tentar o diálogo ele me colocou na defesa. Citei então as inúmeras vezes que o procurei e ele não me atendeu. Lembrei que cada recurso ao MP havia sido precedido por inúmeras tentativas de resolver a questão com as autoridades competentes. Aí, pasmem, o Secretário disse que tem coisas demais para fazer e não pode estar me atendendo ou me dando satisfações daquilo que faz.... Apesar da incoerência, tenho que reconhecer que o Secretário logrou um certo êxito, pelo menos no sentido de que o tempo acabou e o que seria a pauta....ficou para outra ocasião. Montag, 17. März 2008OU É COMO O PREFEITO QUER, OU NÃO SERÁO Conselho de Turismo de Anchieta existiu durante alguns anos só para inglês ver. Composto por vaquinhas de presépio do prefeito, seu Presidente era o próprio Secretário de Turismo. Algumas pessoas bem que tentavam, aqui e ali, mudar alguma coisa mas eram minoria e não tinham o conhecimento suficiente para fazê-lo. Assim as reuniões do Conselho de Turismo consistiam, basicamente, nas informações que os "conselheiros" recebiam sobre as decisões que apenas a prefeitura tomava. Não havia discussão séria sobre nada nem uma prestação de contas que merecesse esse nome. Mas aí aconteceu uma coisa que fez com que as coisas mudassem. Havia uma condicionante (44) da Terceira Usina da Samarco que obrigava a empresa a financiar um plano de Turismo para Guarapari e outro para Anchieta. Esse plano deveria ser realizado com a participação da sociedade civil e os empresários de turismo locais. As duas prefeituras embolsaram o dinheiro destinado ao plano como bem entenderam e ambas apresentaram um pseudo-plano, elaborado apenas por elas. No caso de Anchieta era um documento que já existia mesmo antes da existência das condicionantes... Quando a CENG, a Comissão criada para acompanhar o cumprimentoo das condicionantes se debruçou sobre o assunto, a história mudou de rumo pois pudemos provar sem problemas que aquela tinha sido, apenas, mais uma maracutaia das prefeituras que tanto a Samarco quanto o Iema teriam deixado passar em branco. Tudo teve que repartir de zero e foi criada uma comissão em cada uma das cidades para a elaboração dos respectivos planos. Essa foi a minha porta de entrada para o Conselho de Turismo pois, de repente, era necessário que esse conselho realmente participasse de alguma coisa, quisesse a prefeitura ou não. Ao constatar que o Conselho de Turismo de Anchieta era só uma fachada, pedi a presença de um advogado da prefeitura para que pudéssemos fazer uma leitura apropriada do estatuto e, a partir daí, implementar as necessárias mudanças. Como resultado, fizemos novas eleições e o novo Presidente do Conselho deveria sair do novo grupo eleito. Acreditar que as coisas entraram nos eixos após essa reviravolta é não conhecer o prefeito de Anchieta. Ou as coisas são como ele quer, ou não são. Ele reina soberano nesse infeliz cantinho que é a própria miniatura do país da impunidade. Dominador, manipulador, escorregadio, cercado por cúmplices e mercenários, das suas mãos depende o decreto para criar o novo conselho. E o decreto não sai! Mais de quatro meses se passaram desde as eleições e não se ouve mais nada. Se tivéssemos pelo menos um promotor a quem recorrer! Mas também isso não temos. Vocês se lembram do que aconteceu quando recorremos ao MP por ocasião da criação do Conselho de PDM onde "todos" os conselheiros foram escolhidos pelo prefeito sendo que três eram da mesma família? Ele se negou a nos receber (oito entidades!) e nunca respondeu ao nosso ofício. A maracutaia é grande minha gente. É triste, é pobre, quase sem esperanças. Minha revolta, porém, não é só contra esse prefeito ambicioso, egoísta, estúpido e mentiroso e contra toda a corja que sustenta e se beneficia desse poder. É contra todos aqueles que vivem abrindo o bico para reclamar mas que são incapazes de assumirem tarefas de cidadania para que esse estado de coisas mude. Somos poucos os que fazemos isso e estamos sempre sobrecarregados. Trabalhando de graça e arcando com as despesas desse trabalho, ainda somos muitas vezes cobrados pelas coisas que nos escapam. Até quando essa omissão, essa preguiça, essa irresponsabilidade? Talvez até o dia em que eles serão vítimas diretas das ilegalidades, injustiças e abusos que fingiram não ver.
Montag, 3. März 2008Troca de mails com o Promotor para o Meio AmbienteComo o tempo anda curto, resolvi publicar aqui a última troca de mails que tive com o Dr. Paulo Sérgio da Silva. Ele foi promotor de Anchieta há alguns anos e é hoje responsável por Itapemirim, embora ainda responda pelas questões de MA de Anchieta. Creio que o conteúdo dos mails será uma boa fonte de informações. Por favor, comecem pelo fim (primeiro mail). Dr. Paulo Sérgio, boa tarde. Poderia me informar quais serão as atribuições do GETIKAURBE? O que significa esse nome? O senhor ficará apenas lá? Gostaria de saber se existem novidades a respeito do Conselho de MA, sobretudo depois do que lhe contei no mail. O tempo passa e as coisas não avançam, pelo menos para nós. Por favor, aguardo notícias. Ilda de Freitas
Freitag, 22. Februar 2008SECRETÁRIA SEM MOTIVAÇÃO...As coisas em Anchieta vão de mal a pior. Fico matutando como passar as informações para vocês mas o pacote é grande demais. Escolher as prioridades não é fácil. Existem aquelas questões básicas que dizem respeito às irregularidades, corrupção, desrespeito às leis e aos direitos do cidadão e, depois, os fatos diversos que surgem em decorrência disso. A informação que lhes passo hoje é um desses fatos: Antes da última reunião da CENG recebi para análise o relatório final do IEMA sobre o andamento das condicionantes da terceira usina, já que a fase de instalação havia terminado e passava agora à fase de operação. Fiquei surpresa quando li que a nossa Secretária de Saúde havia tido duas reuniões importantes para tratar dos impactos na área da saúde provocados pela vinda de milhares de trabalhadores de fora. As reuniões, solicitadas pela própria secretária, foram: uma com o Iema e a Samarco e a outra com a Samarco e a empresa Enesa, a empreiteira que forneceu o maior número de trabalhadores ao empreendimento. Abro parênteses para informar-lhes que ninguém sabe ao certo quantos trabalhadores passaram pela obra, mas calcula-se que tenham sido em torno de 6.000, isto é, o dobro do que havia sido previsto e anunciado pela própria Samarco. Mais da metade desses trabalhadores vieram de fora embora, mais uma vez, não tenhamos dados precisos. O fato de não existirem dados precisos mostra que a coisa fugiu completamente ao controle, como a própria Samarco admitiu. A não ser que, assumir essa "fuga do controle" seja mais fácil ou conveniente do que assumir outros erros... Fecho parênteses. Como membro da CENG e também do Conselho de Saúde de Anchieta, levantei várias vezes a questão do impacto que isso provocaria na área da saúde. Solicitei à Samarco uma reunião com o Conselho de Saúde para tratarmos disso, o que foi acordado desde que o Conselho protocolasse um ofício na Samarco marcando dia e hora. Levei então a questão para o Conselho (em ata),mas nunca conseguimos marcar uma reunião pois a secretária sempre se esquivou do assunto, como sempre faz quando se trata de deixar o Conselho participar daquilo que realmente importa. E isso apesar de, continuamente, ter reclamado do grande impacto que estava ocorrendo (também em ata). Imaginem minha surpresa quando vejo no relatório que ela, sozinha, havia tido duas reuniões para tratar do assunto, fato que, aliás, nunca comunicou ao Conselho. Surpresa maior ainda: Na reunião com a Samarco, a empresa lhe havia solicitado um relatório sobre os impactos mediante os quais ela estudaria um modo de mitigar ou compensar o impacto. Nossa Secretária de Saúde nunca enviou o relatório e não houve uma segunda reunião. Com a Enesa, quase a mesma coisa. A empreiteira propôs financiar uma campanha contra diabetes e hipertensão, dois grandes males locais. Mas a secretária não se interessou em dar continuidade ao assunto. Na última reunião do Conselho de Saúde, com o relatório do Iema em mãos, solicitei à secretária que nos explicasse como isso tinha sido possível. E pasmem, ela mal piscou. Disse da forma mais normal do mundo: "eu só me lembro de uma reunião..." e, para encerrar o assunto: "de qualquer forma os impactos não foram tão grandes assim...". Depois de uma coisa dessas a pergunta é mais do que pertinente: Se a Samarco e a Enesa tivessem oferecido alguma compensação em dinheiro, será que o desinteresse teria sido o mesmo? Sonntag, 17. Februar 2008O FIM DA CENGDia 13 passado tivemos a última reunião da CENG. Refrescando a memória para quem esqueceu: a CENG foi a comissão formada para acompanhar o cumprimento das condicionantes para a instalação da 3ª usina da Samarco, (LI). Aliás, a própria CENG nasceu de uma condicionante. Em março a nova usina entra em funcionamento e passam a valer as condicionantes da LO (Licença de Operação). Foram mais de dois anos de trabalho e dela participaram representantes da sociedade civil de Anchieta e Guarapari. Creio que o sentimento predominante nessa última reunião foi o do dever cumprido mas também de grande satisfação. Não era para menos. O início foi marcado pela insegurança dos participantes em claro contraste com a Samarco que, ao invés de apenas viabilizar a constituição da comissão e fornecer a estrutura necessária ao seu funcionamento, como mandava a condicionante, foi bem além disso. Foi ela quem “escolheu” os participantes e redigiu o Regimento Interno, colocado para apreciação e aprovação em uma única reunião. O que seria uma comissão independente de representantes da sociedade civil para fiscalizar a Samarco nascia sob a orientação e direção da própria Samarco! Essas primeiras reuniões mostraram claramente a imensa barreira que existia entre a Samarco e a comunidade que, de uma forma ou de outra, sempre se vira subjugada pelo poder da empresa. Sem dúvida, o fator mais importante nisso era psicológico. Há quinhentos anos carregamos como herança cultural, a submissão aos colonizadores que, ao longo dos anos, se transformou em submissão aos poderosos. Infelizmente, os que transcendem esses bloqueios psicológicos são geralmente aqueles que querem o poder para si, o que é o caso da maioria dos nossos políticos. Assim, o início da CENG não prognosticava uma quebra desse modelo. Mas o tempo mostrou duas coisas: primeiro que, apesar de tudo, está havendo mudanças na sociedade e, segundo, que existe um imenso potencial nos brasileiros para reverter tais situações de submissão desde que a oportunidade se apresente. Nesse caso, a ocasião veio quando o IEMA, atendendo à pressão da sociedade civil, criou a CENG como instrumento que possibilitaria o acompanhamento do cumprimento das condicionantes para a instalação da 3ª usina. Sem dúvida uma vitória que rapidamente poderia ter se transformado em derrota se não tivéssemos tido a força de, aos poucos, anular o domínio psicológico e estrutural da Samarco nas primeiras reuniões. Foram dois anos onde tivemos de tudo: batalhas, enfrentamentos, árduas discussões. Cobrança no pé, recusa para aceitarmos algumas condicionantes que estavam sendo dadas como cumpridas e onde as coisas tiveram que repartir de zero. Nossa capacitação foi a toque de caixa, movida pela própria constatação de que nosso trabalho era ainda mais importante do que tínhamos imaginado. Após alguns meses a CENG se tornou realmente uma comissão independente, assistida pelo Iema. A Samarco se tornou convidada. Foi como colocar um veículo em movimento. Quanto mais rodava, melhor funcionava. Crescemos todos. Nós, os representantes da sociedade, mas também o Iema e a Samarco que, finalmente, parece começar a compreender que é mais fácil trabalhar com a sociedade do que contra ela. Como coordenadora eleita da CENG me sinto gratificada. Pelo que conseguimos, ou melhor, pelo que começamos. Mas ainda falta muito. Termos como Responsabilidade Social, Crescimento sustentável e muitos outros, têm que ser revistos. Têm que sair dos arquivos da teoria intelectual a serviço da propaganda, para ganhar o território da prática, da realidade, do mundo em mutação. E isso só será possível com a participação da sociedade. Donnerstag, 7. Februar 2008ENTREVISTA PARA O RELATÓRIO DA SAMARCOPergunta Na sua opinião, qual foi o principal destaque da atuação do Conselho de Entidades Não-Governamentais (CENG) em 2007? Qual foi o papel da Samarco nessa atuação? Houve transparência/integração/comprometimento? Resposta: Considero a CENG um marco tão grande na história do relacionamento Samarco/sociedade que talvez só em alguns anos possamos avaliar sua real importância. Ela é o início de um processo de integração de diferentes interesses e valores onde estamos todos fazendo nossa parte. Apesar da evolução positiva no que diz respeito a esses três ítens, o processo é tão complexo que não poderíamos separar a atuação da Samarco da atuação da sociedade e isso, em si, já é o ponto mais positivo.
Pergunta Como vê o andamento do cumprimento das condicionantes pela Samarco? Quais os pontos mais positivos e os mais negativos ou que ainda precisam de maior evolução? Resposta Esta resposta seria a continuação da resposta anterior. O ponto mais positivo é justamente podermos constatar que um diálogo real entre a Samarco e a Sociedade Civil teve início e isso é fundamental para uma interação mais estreita no futuro. Isso não seria possível sem a CENG que propiciou, pela primeira vez, um espaço de discussão e debates das questões que mais afetam o relacionamento entre a empresa e a sociedade. O acompanhamento e a cobrança das condicionantes levantaram novas questões e expandiram a visão dos participantes tanto da sociedade civil quanto do Iema e da Samarco. O nível de comprometimento de todas as partes me surpreendeu e estou convencida de que essa foi a chave do sucesso da CENG. Pergunta Em que medida a atuação da Samarco tem contribuído para uma maior conscientização das comunidades em relação aos conceitos de Desenvolvimento Sustentável? Como a Samarco poderia contribuir mais nessa área? Resposta O ponto positivo é que o trabalho está começando e o negativo é que o próprio conceito de Desenvolvimento Sustentável terá que ser trabalhado se quisermos obter bons e perenes resultados. O desenvolvimento sustentável é o melhor investimento que empresas e poder público podem fazer pois o caos social, o ambiente degradado e a desordem, uma vez instalados, dificilmente encontrarão soluções e seu custo seria imenso. Suas conseqüências futuras poderiam ser tão graves que poderiam até comprometer o funcionamento das próprias empresas. Pergunta: O que espera da Samarco no futuro? Para começar, que seja mantido um espaço de diálogo com a comunidade quando a CENG deixar de funcionar. Em segundo lugar, gostaria que a Samarco se empenhasse junto ao poder público para a criação de um conceito de Crescimento Sustentável e sua implementação. Isso só será realmente possível se apoiado em políticas ambientais fortes e eficazes e amparado por instrumentos apropriados. Donnerstag, 24. Januar 2008APELO À RAZÃOO meu amigo Bruno Fernandez, da ONG Gama, deu uma entrevista ao Século Diário, protestando contra a inclusão da Samarco na Diretoria do Comité do Benevente. Sobre isso gostaria de fazer algumas considerações: Companheiros, devemos ser racionais. Nosso posicionameento quanto ao uso da água tem que ser radical, isso é uma coisa. Outra coisa é deixar que isso afete nosso raciocínio! A Samarco é a única que tem condições de bancar o Comité do Benevente funcionando! Não se esqueçam que a única diretoria que funcionou bem foi a primeira. Na segunda eleição, as paixões e a falta de visão predominaram. Vamos refrescar a memória: Na primeira eleição tudo havia sido preparado para que o Comité ficasse nas mãos da Samarco e da prefeitura, lembram-se? O Progaia conseguiu a vice-presidência praticamente na marra. Mas sempre defendemos que a Samarco deveria estar com a secretaria pois era a única que podia bancar o seu funcionamento. O nosso papel era: 1. não permitir que ela obtivesse vantagens indevidas com o cargo. 2. Fazer as coisas acontecerem de modo correto. 3. Elaborar o Regimento Interno. Ela cumpriu o papel dela porque cumprimos o nosso! E aí incluo boa parte dos outros membros da diretoria. Esse núcleo nunca faltava às reuniões, ponto importantíssimo! Cobramos, questionamos, discutimos, trabalhamos duro e, apesar disso, conseguimos um bom clima na diretoria. Sobretudo, soubemos cobrar! Dentro do respeito, dentro da legalidade, sem perder de vista o objetivo! A Samarco disponibilizou a Adriana Alves e mais uma secretária, a Veronika, só para cuidarem do comité! Tudo funcionava, as coisas estavam organizadas e até as questões de transporte dos membros eram resolvidas. As reuniões tinham data certa e todos eram informados com antecedência e chegamos mesmo a elaborar um jornalzinho informativo! Infelizmente, quando foi eleita a segunda diretoria as paixões e posicionamentos radicais predominaram. Se, nas nossas reuniões, havíamos sempre podido contar com um pequeno número de participantes, responsáveis e com visão de conjunto, a eleição para a diretoria definitiva, em Allfredo Chavez, já prognosticava o contrário. Grandes grupos movidos por outros interesses, se apresentaram e levaram a melhor. Tentei convencer algumas pessoas da necessidade de se trabalhar com a Samarco e me lembro de ter ouvido coisas como: "a única coisa que interessa é a Samarco ficar fora"! A Samarco ficou fora e o comité parou. Ou alguém pode dizer que houve algum avanço real? Diante disso, preferimos nos afastar. É com imensa tristeza que constato que as coisas não evoluiram e, pelo andar da carruagem, não evoluirão. O Comité não cumprirá seu papel enquanto a grande motivação de alguns membros for atingir a Samarco. Excluir a Samarco é jogar a criança fora, junto com a água do banho! Protestar é facil, criticar é fácil. Eu sei porque essa é a parte mais fácil do meu trabalho. Mas a outra, a difícil, temos que fazer também. Pois o difícil é construir, ser coerente, imparcial, confiável, perseverante e humilde. Muito mais difícil ainda é reconhecer os erros e voltar atrás pois para isso temos que estar prontos a fazer um trabalho pessoal e esse trabalho inclui deixar de lado as motivações pessoais e as armadilhas do ego. Assim, apelo para a razão. Lembro a todos que não podemos perder de vista que o nosso objetivo é a preservação da nossa bacia hidrográfica. As vezes, os valores que temos que agregar estão do lado do adversário e são apenas materiais. Mas se não temos escolha, vamos tentar fazer uma limonada desse limão. Ilda de Freitas Sonntag, 16. Dezember 2007ENTREVISTA AO SÉCULO DIÁRIO
Donnerstag, 13. Dezember 2007DEUS E O DIABOAs ONGS ambientais acabam de ser excluídas do Consema, Conselho Estadual do Meio Ambiente. A notícia choca mas é plenamente coerente com a linha de Governo de Paulo Hartung. Isso me fez de alguma forma lembrar uma dessas mensagens engraçadinhas da internete que mostrava, ao longo da história, a guerra entre Deus e o Diabo. O foco era a luta do ser humano moderno que não consegue usufruir plenamente das boas coisas que a vida pode oferecer hoje. Do tipo: tanta comida gostosa mas que chega ao mesmo tempo que a exigência por padrões de beleza inalcançáveis para a maioria dos mortais. Ou: a vida humana sendo prolongada ao mesmo tempo em que as pessoas idosas já não gozam do respeito que tinham antigamente e nem podem mais contar com os cuidados dos familiares. Então, todo mundo quer ser jovem e bonito e proliferam as clínicas de belezas, as dietas milagrosas, as cirurgias plásticas. Mas isso não resolve os problemas e aumenta o número de analistas, psiquiatras, etc. E por aí vai. Mas mesmo numa brincadeira assim podemos encontrar um fundo de verdade. As leis são exemplo disso. Mais abrangentes do que nunca e cada vez mais perfeitas. Isso seria Deus. O Diabo seria o poder dos contraventores, sua esperteza, sua falta de escrúpulos e sua capacidade de organização. Mas seria também o poder dos interesses econômicos aliados aos objetivos pessoais de grande parte dos nossos políticos. Um dos melhores exemplos: O Diabo seria o domínio da grande mídia pelo poder econômico e a internete seria Deus. Um tira a liberdade de expressão, o outro devolve. Um, está perdendo terreno pelo fato de estar confinado aos interesses de um grupo e o outro crescendo, justamente por ter liberdade. Os jornais perdem leitores na mesma medida em que são criados blogs, sites e jornais da internete independentes onde o pensamento livre e a informação circulam. São como grandes passeatas virtuais e, quem sabe, daí poderá nascer uma nova ordem social. Sem contar sua incrível mobilidade para ser usada como ferramenta de pesquisa, sem fronteiras territoriais. Então, de certa forma, as coisas continuam equilibradas entre o céu e a terra. Essa ferramenta já está nos servindo e temos que saber utilizá-la cada vez mais. Via net, juntamos idéias e pessoas, criamos fóruns, buscamos soluções. Tenho a certeza de que esse “movimento” que tanto deve ao virtual, será cada vez mais forte na medida em que nos estruturamos melhor e definirmos melhor nossas metas. A exclusão das ONGS ambientais do Consema se insere no mesmo contexto da criação do Conselho de PDM e Desenvolvimento em Anchieta onde “todos” os conselheiros foram escolhidos pelo prefeito. No mesmo contexto em que as portas do MP foram fechadas para as entidades que tentaram recorrer. No mesmo contexto em que nosso recurso à prefeitura não obteve nenhuma resposta. No mesmo contexto em que o prefeito e o governador desmarcaram as reuniões com as entidades. Para mim, o que estão fazendo já é criar barricadas. Quem cria barricadas já está na defesa. É sútil, mas é. Se você não teme o adversário e se julga superior a ele, pode se dar ao luxo de recebê-lo em sua casa e isso pode até ser uma boa estratégia. Se a bandeira do adversário for só uma bandeira para disfarçar interesses pessoais, a coisa é fácil. Você se mostrará sensibilizado aos seus argumentos e não deixará de enaltecer suas qualidades e, num piscar de olhos, ele será seu aliado. Uma tática comum de prefeitos e outros políticos é receber de vez em quando algum "líder" comunitário, com alguma reivindicação especial, do tipo, uma sede para a associação, uma creche, um campo de futebol. Esses líderes saem satisfeitos após uma negociação "onde todo mundo sai ganhando". As vezes o ganho é só um empreguinho público para o líder ou alguém da sua família. É o prato de lentilhas, ou o osso. Mas nós, que não aceitamos um prato de lentilhas nem osso, estamos sendo rechaçados para o mais longe possível. Excluídos. Querem saber? De certa forma isso já é uma vitória. Eles sabem que bandeiras, como máscaras, podem ser trocados. Diz um ditado que a verdade só tem um rosto mas a mentira usa máscaras, muitas máscaras. Dá para ver Deus em um e noutro, o diabo. Eles acabam de reconhecer que temos um rosto e para enfrentar isso terão que encomendar novas máscaras.
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Comentários
Mo, 28.08.2006 15:46
Roberto Luquini, obrigada pela s suas palavras. Só hoje posso responder-lhe pois estive, ma is uma vez, com problema [...]
Fr, 11.08.2006 19:49
É, Ilda, pelo visto a luta con tinua, né? Se houvesse mais ge nte como você nesse nosso Bras il, o país seria outro. [...]
Sa, 15.04.2006 05:06
Je sais que tu es très critiqu e sur les actions écologiques des sociétés, mais je ne parta ge pas tout à fait ton a [...]
Mi, 15.03.2006 19:43
Oi mae, qual e o endereco web do PROGAIA?
Mo, 27.02.2006 20:49
Vielleicht gibt es ja doch noc h ein Hoffnung für die Menschh eit??